Oswaldo Petrin
Quem ganhou com o ajuste?
-Análises absolutamente confiáveis como as da FGV, Instituto de Economia Agrícola de SP, e Deral, do Paraná, apontam que o ganho da agricultura com o ajuste cambial ficou aquém do que indicavam as projeções iniciais. Que o diferencial de vantagem sobre produtos de exportação (e, não sobre todos os produtos, portanto), foi neutralizado pelos reajustes (ou aumento real) dos fatores de produção. Ontem, em Curitiba, Faep e Ocepar, voltaram a manifestar sua preocupação com os custos. É visível a alta generalizada de defensivos.
-No entanto, há indústrias que se queixam. Ou, quando não, exibem dados sobre prejuízos que debitam ao ajuste cambial. É o caso, por exemplo, da Fosfértil e Ultrafértil. Ontem elas apresentaram dados do primeiro trimestre: resultado negativo conjunto de R$ 10,1 milhões, gerado pela desvalorização da moeda frente ao dólar. Excluída a equivalência patrimonial, a Fosfertil apurou resultado negativo de R$ 10.657 mil, superior ao de R$ 3.008 mil apresentado em igual período do ano passado. A Ultrafértil, por sua vez, teve lucro de R$ 10,7 milhões, inferior em 15% ao apurado no primeiro trimestre de 1998.
-No caso das duas empresas de fertilizantes, os resultados - segundo fonte das próprias indústrias - foram influenciados pelo acréscimo das despesas financeiras, fruto da desvalorização da moeda e do aumento das taxas de juros. A desvalorização cambial teria gerado aumento de preços em reais, atenuando os resultados.
-Ninguém duvida, dos dados das indústrias, naturalmente. Nem a FGV. IEA e Deral, disseram que elas estão ganhando ou perdendo. Mas o que intriga é que não há ganhador, a julgar pela versão de cada setor.
-A Faep recorreu ao Cade contra a formação de cartel. Medida que mostra que o setor de produção, longe da tutela do governo, já não aceita arcar sacrifícios unilaterais.
-Os primeiros casos de alta exagerada de preços ocorreram nas indústrias de insumos. Imediatamente o Sindicato Rural de Londrina, através do seu presidente Edison Mazei Ponti, lançou o seguinte desafio. A agricultura mostra seus custos e a indústria os dela. Convocou reuniões, estimulou o debate, mas a indústria (no caso as de derivados de milho, a mais criticadas com base na comparação de dados) não se manifestaram. O desafio era o seguinte: Mostrem suas planilhas, referindo-se à planilha de custo. A campanha do Sindicato ganhou espaço nacional na mídia; outros estados seguiram o exemplo, mas, planilha que é bom, nada. Portanto, os dados das indústrias são ainda uma caixa preta. Convenhamos que elas não são obrigadas a apresentá-los, obviamente.
-Neste momento, o melhor a fazer é aceitar o desafio do Sindicato de Londrina: Mostrem suas Planilhas. Do contrário, cada setor - fornecedor e cliente - se manterá na choradeira que não convence ninguém. E, como blefar é livre, é só blefar.
E mais...
Técnico de uma cooperativa paranaense garante que as indústrias (de insumos) e a agroindústria (de derivados) ganharam com o ajuste cambial. Se não ganharam, também não perderam. Ou reclamam porque ganharam menos com o ajuste.
Lei da oferta
A CNA informou ontem que está disposta a liderar campanha para redução do uso de produtos químicos e fertilizantes. Além de necessária para diminuir custos,
a redução forçará a indústria a praticar preços compatíveis.
Carne/exporta
O médico-veterinário Adélio Borges, do Deral, corrige: exportações brasileiras de carne bovina en este ano devem chegar a 420 mil toneladas e não 610 mil como foi divulgado. Crescimento deve ser mantido ano que vem.
Boi/palestra
Nesta sexta-feira, às 17 horas, na Associação Comercial de Londrina, palestra sobre comercialização de boi gordo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (M&F). Falará o economista sênior Oscar Frick, da BM&F.
On-line
Após a palestra, apresentação do terminal on-line da BM&F instalado no Banespa. Através do terminal produtores poderão fazer operações de compra e venda no mercado futuro.





