Oswaldo Petrin
Consumo de cimento
-Dois fatos que não são meramente coincidentes. Primeiro: finalmente a redução dos juros oficiais chega à ponta de consumo e transparece - ainda que timidamente - nas taxas do crédito pessoal, o financiamento direto ao consumidor do varejo. O segundo fato é o novo indicador de recuperação (setorial) da economia, o aumento na demanda de cimento em abril.
-Não tomemos isto como recuperação da economia. Esses dados estão longe, ainda de sinalizar com reversão de tendência. Está se falando de reações localizadas, não de demanda agregada de bens de consumo ou duráveis. Ou mesmo de serviços, um setor que reage bem e rapidamente. De qualquer forma, o que se tem é melhor do que se os dados apontassem o contrário. São indicadores tímidos, mas que exercem influência. O cimento, por exemplo, puxa uma série de outros setores e subsetores. Está diretamente relacionado com a construção civil, setor que mais emprega mão-de-obra não totalmente qualificada.
-Portanto, queda de juros, combina com aumento na demanda de cimento.
-O consumo de cimento no País cresceu 1% em abril em relação a igual período do ano passado, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento, divulgados ontem pelo principal executivo da entidade, João Menescal Fiuza. No mês passado foram consumidos 3,194 milhões de toneladas do produto.
-Explicou que o resultado mostra que há uma sinalização evidente de recuperação do mercado. O setor está se reaquecendo. O aumento se verifica tanto no consumo das pessoas, o chamado consumo formiguinha, como no das construtoras de obras públicas e das empresas que atuam em obras privadas, como novos edifícios.
-Agora, vejam por que este fato é importante quando associado à queda dos juros do crediário: pelo menos 55% do consumo é de pessoas, para realizar obras em suas casas; os 45% restantes são referentes a compras realizadas por empreiteiras, de obras públicas e pela construção civil privada.
-A expectativa de crescimento do consumo de cimento em 99, segundo Fiuza, é de 2% a 3% sobre o ano passado. Hoje o preço do cimento no mercado internacional está abaixo de US$ 50 a tonelada, explicou Menescal Fiuza, ressaltando que no mercado internacional o preço está entre US$ 75 a 85 a tonelada.
-Quanto aos juros: financeiras e bancos começaram a reduzir os juros cobrados do consumidor, em resposta ao corte de 2,5 pontos percentuais na taxa básica (over-selic) do Banco Central, sexta-feira.
-O cenário econômico mais positivo delineado nas últimas semanas - com inflação menor que a prevista, volta do capital externo e estabilização da cotação do dólar - também está fazendo com que instituições financeiras reavaliem os juros nos empréstimos. (Veja mais neste caderno).
Ovo/marketing
Aumentar em pelo menos 50% o consumo de ovos na virada do século. Este é o objetivo da Associação Paulista de Avicultura (Apa). A campanha, baseada na experiência da Promovos, aguarda aporte de recursos para decolar.
Consumo
Brasil é o sétimo maior produtor de ovos, mas, em consumo, está fora do ranking. Com 89 ovos per capita este ano (14,4 bilhões de ovos) o mercado tem espaço para duplicar o consumo que já chegou a 109 ovos per capita (em 1987).
Omelete
A certeza de que o consumo pode crescer é baseada nas médias dos Estados Unidos, Itália, França, Bélgica e Dinamarca (248, 251, 253, 254 e 260 ovos per capita/ano). Japão (278), China (285) e México (305) consomem mais.
Industrial
Fator favorável: enquanto em outros países predomina o consumo industrializado, no Brasil o ovo industrial representa apenas 5% do consumo. Técnicos acham mais fácil alavancar a demanda do ovo como ingrediente e não produto final.
Merenda
Segundo José Teixeira da Silva, superintendente da Apa, o setor tem propostas para atender a programas sociais, principalmente merenda escolar. O gargalo está na forma de industrialização. Operar in natura significa perdas elevadas.





