Projeção discutível
-Preços deprimidos. É o que prevêem as projeções do Banco Mundial para o mercado das commodities agrícolas, nos próximos 10 anos. A notícia não surpreendeu os agentes e analistas do mercado. Há anos o mercado vem convivendo com margens estreitas. A melhor arma para conviver nesse cenário são a redução de custos e a melhoria da qualidade.
-A propósito de custos, o presidente da Conab, Eugênio Stefanelo, previu ontem, em Maringá, que a soja se tornará inviável no Paraná, em 10 anos. O operador de mercado de uma cooperativa disse que Stefanelo foi generoso com relação ao prazo. Para as cooperativas, a competitividade da soja não irá tão longe, desde que os investimentos em infra-estrutura, em implantação no cerrado (como hidrovias, por exemplo), não sejam suspensos. Há três anos, óleo e farelo de soja, com destino a Santos ou Paranaguá, são embarcados em São Simão (GO) e chegam por hidrovia até a região de Campinas.
-A inviabilidade da soja, questionada neste momento, tem explicação mais simples, na variável custo. Mas a previsão do Banco Mundial, embora não surpreenda os especialistas, pode esbarrar em fatores extracampo como, embargos e boicotes econômicos decorrentes guerras, ou em adversidades climáticas. Dois anos de seca no Meio-Oeste norte-americano e o mercado se desequilibra por três ou mais safras. Portanto, não se deve tomar como definitiva a previsão no Bird.
-O que prevê o relatório do Banco Mundial: Para o milho, a estimativa é de que os preços fiquem em US$ 102 por tonelada em 1999 e US$ 108 por tonelada em 2000. Segundo o banco, grandes estoques de milho e outros grãos forrageiros combinados com a pequena demanda importadora global deixarão os preços em baixa em 1999. Os preços do milho foram, em 1998, de US$ 102, que foi menor que os US$ 117,10 registrados em 1997.
-Como se vê, nada que o mercado interno não possa suplantar. Se o país implementar as exportações de frango (estudos da FGV diz que o frango brasileiro continuará altamente competitivo por mais três a cinco anos) o mercado interno será o grande comprador e o milho - ao contrário da soja, café e sucos -, fica independente das variáveis externas.
-Preços mundiais da soja: US$ 200/t este ano, e US$ 205/t para o ano 2000.
-Os preços mundiais do trigo foram estimados em US$ 128 por tonelada em 1999 e US$ 133 por tonelada em 2000 pelo Banco Mundial. Segundo relatório, os preços do trigo foram, em 1997, de US$ 126,10. O banco informa que os preços do trigo estão acima das baixas registradas em agosto de 1998 mas não devem subir muito porque as estimativas de estoques mundiais aumentaram e as importações estão menores que o esperado.
-A preocupação maior é com o café e a soja que têm preços homogêneos e atrelados ao mercado ditado pelas bolsas de Nova York e Chicago.

Cooperativas
O Recoop (revitalização das cooperativas) aprovou 130 propostas em todo o País. Essas cooperativas receberão R$ 2,1 bilhões do chamado ‘‘Proer da Agricultura’’. Com esse dinheiro vão sanear finanças e enxugar estruturas.
Saneadas
Mas o dinheiro ainda não está no caixa. As cooperativas habilitadas terão suas propostas encaminhadas para renegociação. Após esta etapa, elas ainda terão que se candidatar aos financiamentos.
Recoop
O Comitê do Recoop vai analisar mais 40 projetos até final de junho. Em três anos o Recoop pretende sanear e implantar nova administração em 50% das cooperativas brasileiras.
Monitoradas
O coordenador do Recoop, José G. Fontelles, disse à AE que o governo pretende criar um sistema de controle das cooperativas para acompanhar se elas estão acatando as medidas sugeridas pelo comitê.
Mamata
As cooperativas aprovadas no Recoop terão prazo de 15 anos para o pagamento das dívidas, estimadas em R$ 900 milhões. Neste período terão de revisar perioridamente seus projetos técnicos e administrativos.

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