Oswaldo Petrin
Tarifa única
-Dois fatos que merecem atenção no agronegócio dos lácteos e da carne: 1) Os argentinos, por precaução, restringem a entrada de gado e carne do Brasil. É a luta deles em busca do reconhecimento de área livre de aftosa sem vacinação (veja matéria nesta página). 2) Tarifa Externa Comum (TEC) para os lácteos: uma medida defendida pelos produtores brasileiros há três anos pode ser tomada agora dentro do Mercosul, dependendo ainda de algumas negociações. Trata-se da definição de uma tarifa uniforme (e transparente) para o leite. Entre outros benefícios, a medida pode reduzir a triangulação do produto.
-Os produtores dos cinco países - Mercosul e Chile - estão sugerindo 30% para o leite em pó e queijos em geral. A decisão foi tomada durante o 1º Encontro de Dirigentes das Associações de Produtores de Leite do Mercosul, encerrado ontem em Buenos Aires. Se for acatada, os produtos deverão integrar a lista de exceções à Tarifa Externa Comum (TEC), a exemplo do que já ocorre no Brasil.
-O fato de os produtores argentinos terem concordado com a elevação da TEC foi considerado uma vitória, por parte dos representantes brasileiros. O governo deve reconhecer que os produtos lácteos são sensíveis e precisam de um regime especial, segundo o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Paulo Bernardes, à Agência Estado, ontem.
-Com a unificação das tarifas, os produtores de leite do Mercosul querem evitar as operações de triangulação nas compras de leite em pó e queijos e defender o setor contra a prática de comércio desleal por países onde a exportação de produtos é subsidiada. No encontro, as lideranças do setor leiteiro recomendaram ainda a unificação em 20% das alíquotas de 35 produtos lácteos que hoje possuem TEC entre 12% e 16%, e a revisão das preferências tarifárias concedidas ao Chile, que integra a zona de livre comércio com o bloco.
-O ministro Francisco Turra falou ontem com seu colega Pedro Malan, da Fazenda. Turra quer R$ 12,5 bilhões para safra 1999/2000. Um ponto importante foi a posição do ministro quanto às dívidas dos agricultores em dólar. Eles foram surpreendidos pelo ajuste cambial. Dívida mais do que duplicada. Turra sugeriu uma saída semelhante à que foi encontrada para o leasing de automóveis. Turra também solicitou R$ 116 milhões para a área de defesa
agropecuária. Segundo Turra, Malan mostrou-se sensível e criou um grupo de trabalho para discutir este assunto.
-Outro assunto tratado foi o aumento dos insumos agrícolas que, segundo ele, pode comprometer o plantio da próxima safra. O secretário de Acompanhamento Econômico, Cláudio Considera, pediu ao setor que enviasse ao Ministério da Fazenda notas fiscais para comprovar abusos, como o aumento de 100% no preço da vacina contra a febra aftosa. O presidente da CNA ficou de encaminhar essas notas ao Ministério da Fazenda.
Exemplo
Os argentinos querem ser reconhecidos como área livre de aftosa sem vacinação. E restringem a entrada de gado e carne procedentes do Brasil. Isto mostra como questão sanidade é levada a sério.
Exemplo 2
Isto mostra que o Conselho de Sanidade Agropecuária (CSA-Londrina) está certo no seu apelo para que todos os paranaenses vacinem seu gado. Nós ainda queremos entrar no primeiro estágio de área livre com vacina.
Boi em SP
O preço à vista do boi gordo em SP (parâmetro para outras regiões) ficou em R$ 30,17/arroba (-0,63%). Em dólar, US$ 17,90 (-1,32%). A prazo, ficou em R$ 31,00 (-0,90%). Fonte Esalq/AE.
Soja/Paraná
O indicador de Preços da Soja, no atacado, Esalq/BM&F ficou em R$ 16,09/saca (+2,03%). Em dólar, US$ 9,55/saca (+1,38%). O Indicador é calculado com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Paraná.
Milho/lotes
O indicador de milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 9,06/saca (+0,22%). Em dólar, US$ 5,37/saca (-0,56%). O valor a prazo ficou em R$ 9,40/saca (+1,44%). Veja preço ao produtor nos quadros abaixo.





