Salvação da Frota Verde
Cerca de 50 mil litros de álcool, o suficiente para abastecer 20 mil veículos, foram distribuídos ontem em Ribeirão Preto (SP). A iniciativa foi da Associação Pró-Frota Verde, em protesto contra a política do governo em relação ao setor sucroalcooleiro, que está em crise aguda, e pela falta de perspectivas das indústrias automobilísticas produzirem carros a álcool. As indústrias fazem corpo mole para levar o governo a aumentar o estímulo à produção de carro a álcool. Alegam que terão de fazer investimento na planta da montagem.
Não resta muita alternativa ao pessoal do açúcar e do álcool se não pressionar o governo que intervenha no mercado para alavancar o consumo. Afinal o mercado externo (de açúcar) também está capenga. O preço mundial do açúcar é um caso à parte na recuperação dos preços agrícolas mundiais, pois depende diretamente de uma ação do governo sobre os estoques de álcool.
Ontem, também em Ribeirão Preto, o economista Fernando Homem de Mello previu futuro sombrio para os dois produtos. Ele defende o estímulo ao carro a álcool para diminuir os estoques e assim impedir que os produtores continuem destinando a maior parte da cana para a produção de açúcar. Afinal, o mercado do açúcar continuará saturado. Não há como elevar em quase 30% o volume de produção de açúcar no Brasil sem afetar o preço mundial.
Mas é bom ter sempre um pé atrás quando as notícias vêm do Agrishow. Ontem, por exemplo, foi anunciado com otimismo que os preços agrícolas deverão reverter a tendência de queda no segundo semestre deste ano. Isto foi dito, nada mais nada menos, pelo professor e economista da Fipe/USP, Fernando Homem de Melo, durante sua palestra sobre o impacto da desvalorização na agricultura, no estande da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).
As culturas favorecidas pela desvalorização continuam sendo, pelo menos este ano, o café, a cana, a laranja e o cacau, porque são altamente comercializados no mercado externo sem que necessitem de insumos importados. A soja e o tomate são o caso inverso, que serão prejudicados pela desvalorização por causa da alta nos custos.
O milho se beneficia com a inviabilidade da importação. O leite também. O produto que vinha sofrendo perdas no mercado interno devido à importação do leite da Argentina, deverá ter um crescimento na produção por conta da suspensão de contratos fechado pelas indústrias nacionais junto a produtores argentinos. ‘‘O produtor de leite ainda não teve como sentir este
impacto da desvalorização porque ainda existiam contratos pendentes. Como estão vencendo, ficará praticamente inviável fechar novos com o câmbio cotado a R$ 1,70, em média’’, acredita.


Carne/UE
A União Européia proibirá as importações de carne bovina dos EUA após 15 de junho, a menos que o país deixe claro que a carne não tem hormônios de crescimento. Detalhes: medidas restritivas só aparecem quando estoques estão altos.
Boi gordo
Preço à vista do boi gordo ontem em SP: R$ 30,49/arroba (-0,10%). Em dólar, a cotação fechou em US$ 18,11 (+1,29%). A prazo, ficou estável em (R$ 31,41). Os dados são da Esalq/USP/AE. (Veja ao lado preço no Paraná).
Açúcar
Nova queda ontem em Nova York. Os 4,58 centavos de dólar/libra-peso representam uma das menores cotações dos últimos 13 anos. Motivo: o excesso de oferta mundial do produto.
Carne/UE
Milho
O indicador de milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou estável ontem em R$ 9,04/saca. Em dólar, US$ 5,37/saca (+1,32%). O valor a prazo ficou estável em R$ 9,40/saca. Veja também preço ao produtor por região.
Café/livre
O governo quer o mercado brasileiro o mais livre, mas não abre mão da regulação. Esse foi o recado dado ontem pelo secretário de Produtos de Base, Robério Oliveira, durante reunião do Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC).

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