Oswaldo Petrin
O sobrepreço argentino
-A indústria moageira de trigo não morre de amores pelo trigo argentino. Não é a matéria-prima que os técnicos industriais gostariam de ter sempre à disposição. E as indústrias e panificação e de massa (macarrão, biscoitos, etc.) concordam com o raciocínio. Dizem até que, com pouco esforço, a matéria-prima produzida no Paraná e Rio Grande do Sul, nada fica a dever. Principalmente a partir desta safra em que entra em vigor um novo sistema de classificação que vai premiar os grãos de boa qualidade, os de qualidade industrial. Isto, aliás, consta da Circular do Trigo, lançada este mês pelo Iapar, voltada para esta safra. Mas, se a indústria nivela o material argentino com o brasileiro, as coisas mudam quando se trata de trigo canadense e americano.
-E, ontem, as indústrias de trigo tiveram um bom motivo para reclamar. É que a taxação do trigo comprado fora do Mercosul pelos moinhos brasileiros está permitindo aos agricultores argentinos aplicarem sobrepreço no produto exportado para o País. A reclamação foi apresentada pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria Moageira de Trigo (Abitrigo), Antenor de Barros Leal, ao ministro da Agricultura Francisco Turra em seminário na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). Ele disse também que a política adotada pelo governo com relação ao trigo argentino prejudica também a produção brasileira, num ano em que os agricultores parecem inclinados a aumentar a área do produto.
-Conforme Leal, o governo brasileiro está protegendo os produtores argentinos ao cobrar 13% de Imposto de Importação nas compras de trigo de terceiros países, além de 25% sobre o valor do frete como Taxa de Marinha Mercante.
-Ele explicou que o produto da Argentina custa para as indústrias cerca de US$ 125 FOB a tonelada mais US$ 15 a US$ 20 de despesas com frete, enquanto o grão norte-americano sofre um acréscimo de US$ 45 a US$ 50 por tonelada (sobre um preço FOB de 120 a tonelada) em função das taxações. Este custo poderia baixar se caíssem os impostos, disse o presidente da Abitrigo (AE).
-O fim da taxação justifica-se ainda, na opinião dele, pelo fato de que os argentinos não têm produção suficiente este ano para abastecer todo o mercado brasileiro, que terá que fazer compra em outros países.
-A safra de trigo argentino caiu de 14,5 milhões de toneladas em 1997/1998 para 10,5 a 11 milhões de toneladas este ano, gerando um excedente exportável de apenas 6 milhões de toneladas. Deste montante, 1,5 milhão são destinados a terceiros países e 4,5 milhões ao Brasil, que terá necessidade de importar mais de 8 milhões de toneladas em 1998, explicou.
CSA-Londrina
Conselho de Sanidade Agropecuária (CSA) de Londrina discutiu esta semana o esquema de promoção da campanha contra aftosa na região. A idéia é fazer com que cada criador oriente seu vizinho a vacinar. Oriente e fiscalize. Vantagem econômica é de todos.
Boi gordo
O mercado manteve os R$ 31/arroba em São Paulo. Esse preço deve se manter devido ao baixo consumo de carne no final do mês, quando cai o poder de compra do trabalhador. Nos quadros abaixo, preços nas principais praças do Paraná.
Frango
O preço do frango vivo pago aos produtores teve aumento de 7,69% ontem, em São Paulo, passando de R$ 0,65 para R$ 0,70, em média, por quilo. A
retomada do consumo motivou o aumento.
Aves/milho
A Apinco e a Associação Paulista de Avicultura estão prevendo aumento de 4,5% na produção de frango no segundo semestre já projetando demanda de dezembro.
Expansão também aumenta demanda por milho no segundo semestre.
Café/exporta
Até dia 20 o país já tinha exportado 814,05 mil sacas neste mês, segundo o Escritório Carvalhaes, de Santos, a estimativa é de 1,7 milhão. Ontem, o café teve aumento de 0,57% em Nova York. Veja abaixo preços no Paraná.





