Oswaldo Petrin
-A reforma tributária que o governo e o Legislativo hesitam em fazer, traria impacto altamente positivo nas faixas de consumidores de baixa renda. Para quem ganha até dois salários-mínimos (SM), o aumento do poder de compra será de até 18%. Para isto bastaria uma redução do ICMS de 2%.
A informação foi dada ontem a esta coluna pelo economista Paulo Rabelo de Castro, com base em estudos do IPEA. Estudos mostram também que a redução do ICMS traria uma grande alavancagem no consumo, o que seria ótimo para ampliação do mercado interno.
-Quem teve coragem de abrir os cobres para tentar defender inutilmente a moeda, pode perfeitamente fazer uma politica de compensação social, afirma o técnico, comparando os benefícios da redução do ICMS sobre a cesta básica. Para os Estados também: o que eles deixam faturar é muito pouco quando se compara os valores os benefícios decorrentes da redução do imposto.
-Rabelo de Castor participou de pesquisa de opinião sobre a expectativa do povo em relação à reforma tributária. O povo quer a reforma e espera pelo menos dois benefícios: que ela reduza o custo cesta básica e desonere as empresas para que hajam investimentos e oferta de empregos. Pesquisa de opinião pública sobre Tributação, Salário e Cesta Básica, foi organizada pelo Instituto Atlântico de e RCW Consultores, e realizada pelo Datafolha nos dias 12 e 13 de abril, em três capitais. Ela confirma o desemprego como o grande fantasma e indica que 63% da população enxerga com principal objetivo da reforma tributária o incentivo à criação de empregos.
-Foram entrevistadas 1.018 pessoas de diferentes camadas sociais, ambos os sexos e diferentes graus de escolaridade. No estudo observou-se que 71% dos entrevistados querem redução do imposto e 31% vêem na reforma um caminho de justiça social, para acabar com a sonegação, alargar a base de contribuintes (com a redução de impostos) e para aumentar os impostos dos mais ricos.
-A pesquisa também mostra que o consumidor é quase inânime na questão da transparência tributária, pois 82% dos entrevistados querem que no preço final dos produtos seja claramente destacado o valor do imposto, para que ele possa saber quanto está pagando para o governo.
-O levantamento de opinião do Instituto Atlântico e RCW Consultores também concentrou um foco sobre a tributação de cesta básica e conseguiu apurar o seguinte quadro de opiniões: 1) É grande a consciência de que a cesta básica é tributada (62% dos entrevistados), 2) Apenas 14% acha que a cesta básica é isenta de impostos - como nos países desenvolvidos. 3) Dos 62% que reconheceram a tributação na cesta básica, 35 pontos percentuais são de pessoas que não têm idéia sobre o quanto é cobrado, 4) 58% dos entrevistados querem urgência na redução dos impostos sobre a cesta básica e 56% na acreditam que os empresários vão repassar o benefício das redução para o consumo.
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