-A construção civil quer se organizar enquanto cadeia de produção. Mostra a cara, assume falhas e busca qualidade. O chamado Construbusiness vai ser discutido no 3º Seminário da Indústria Brasileira da Construção. Rei do desperdício, o setor começa a racionalidade como uma das metas. As perdas na construção chegam a 30% do material. Com o que se gasta para construir dois apartamentos daria para construir três. Não é exatamente isto, mas é quase isto. As perdas de material da construção civil são comparadas às perdas de legumes e frutas nos Ceasas, em tempo de verão brabo.
-Mas é um setor forte, fortíssimo. O Construbusiness responde por 14,8% do PIB
nacional e movimenta mais de R$ 115 bilhões/ano (número de 1997); emprega de forma direta 3,5 milhões de trabalhadores, além de gerar, para cada emprego direto, 2,85 empregos indiretos. Durante a construção de uma obra que ocupa 100 trabalhadores, está se oferecendo mercado de trabalho para 285 pessoas.
-A influência negativa ou positiva sobre a economia é forte. Em janeiro e fevereiro deste ano o setor dispensou 30 mil trabalhadores diretos e 90 mil indiretos, fechando 120 mil postos de trabalho.
-Construbusiness engloba cinco macrossetores encadeados ao longo de uma das mais extensas cadeias de produção: material de construção, bens de capital para a construção, edificações, construção pesada e serviços diversos, como atividades imobiliárias, serviços técnicos da construção e atividades de manutenção de imóveis.
-O Construbusiness soma - em âmbito nacional - produção, impostos, renda e emprego em quase todos os setores. Deve crescer mais, considerando o déficit habitacional de 5 milhões de unidades. Há uma alavancagem à vista: governo acena com crédito de R$ 300 bilhões para programa de casas para aluguel.
-Esses valores são mais expressivos quando se analisa o setor de forma mais ampla, incluindo aí a influência que ele exerce sobre demais setores e subsetores da economia. Os técnicos da área têm uma metodologia específica para avaliar o construbusiness. Eles analisam sob o ponto de vista do elemento multiplicador e, neste caso, consideram tudo o que o setor gera direta e indiretamente antes e depois de iniciada e concluída uma obra.
-Assim, avaliam os efeitos multiplicadores do ‘‘encadeamento’’ para frente e para trás, sobre outras atividades econômicas. Para trás (atividades da indústria de matérias-primas e insumos em geral, fornecedores de equipamentos, etc.) o encadeamento do setor movimenta R$ 48 bilhões/ano. Já o encadeamento ‘‘para frente’’, isto é, a economia gerada após a conclusão de uma obra, movimenta cerca de R$ 5 bilhões/ano. Os dados são da Trevisan Auditores e do assessor Marcelo Francisco de Oliveira.


Boi/frio

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