Oswaldo Petrin
-A queda no poder de compra está reduzindo a exigência dos consumidores. A primeira reação foi o deslocamento da demanda: ele adiou a troca da geladeira e do som, porém manteve o padrão alimentar e até optou por produtos de melhor qualidade. Segundo os supermercados e lojas de departamento, mudanças de atitude no consumo vêm ocorrendo desde o ano passado. E, agora, os consumidores estão trocando as marcas mais famosas ou mais conhecidas (e, cá entre nós, quase invariavelmente também as melhores) por marcas mais modestas, que não estão na mídia. Isto ocorre com alimentos e bens de consumo duráveis.
-Se isto estivesse ocorrendo com sementes de produtos agrícolas seria desastroso porque implicaria em recuo técnico, com inevitáveis consequências. Como se trata de consumo, dá-se um jeito, mesmo quando o alvo são os bens de consumo durável.
-Está se configurando o que os acadêmicos chamariam de efeito substituição - denominação dada à alteração provocada na demanda de um bem qando o seu preço se modifica, supondo que a renda real permaneça constante. O conceito de renda real tem abrangências diferentes. No caso presente, em que o ajuste cambial elevou os preços de componentes importados, os salários não têm a mesma performance.
-Segundo Johon Hicks (professor da Universidade de Oxford, prêmio Nobel de Economia 1972, teórico do valor subjetivo e do equilíbrio econômico) essas mudanças ocorrem quando os bens sobem de preços e a renda real do consumidor permanece na mesma curva de indiferença. (Como se vê, a mesma definição em linguagem mais apropriada).
-Teoria à parte, a preferência do consumidor é quase sempre pelos produtos líderes de mercado, mas a substituição por marcas mais baratas é, muitas vezes, a alternativa para que determinado produto não falte em casa. O consumidor está mudando de marca para ter o alimento à mesa, pois o orçamento está cada vez mais apertado, segundo Omar Assaf.
-Em alguns supermercados, o consumo de mercadorias mais baratas, chamadas pelo mercado de segunda linha, cresceu no primeiro trimestre de 99. Segundo a Agência Folha, as vendas de uma marca de açúcar que não é líder de mercado aumentaram 25%; de queijo ralado, 30%; de café torrado, 35%; de margarina vegetal, 35% e de papel higiênico, 40%.
-As vendas de sabões e detergentes líquidos de marcas não líderes, chamadas pela empresa de outras marcas, subiram 54,9% no primeiro bimestre deste ano em relação às de igual período de 98. No caso do creme dental, a alta foi de 350%; no do papel higiênico, de 14,9%; no da água sanitária, de 4,3%; e no óleo de soja, de 7%.
Efeito





