-Ainda demora mais algumas semanas para que o comércio responda aos tímidos sinais de estabilidade econômica. Por enquanto, o indicador se resume na queda de ritmo da inflação, que todos temiam retornar com vigor após o claudicante processo de ajuste cambial. A retomada do crescimento, nos termos desejados de 4,5% ao ano, só depois da virada do século.
-Ontem saiu a primeira prévia do Índice Geral de Preços de Mercado (atacado), que ficou abaixo da inflação de março. Outros índices como o IPC (consumidor) e o da construção (INCC) também apontam para a diminuição no ritmo da inflação. É simples: não há consumo (porque não há renda no País do desemprego e do subemprego) e, portanto, sem demanda, ninguém inflaciona coisa alguma.
-Resta ainda o juro que pode inflacionar a economia. O governo deu prova de boa vontade mexendo nas taxas, com redução modestíssima nas taxas básicas, dias atrás, passando para 39,5% (estava em 42%), como vimos ontem neste mesmo espaço.
-Mas, se o temor todo era com relação ao estrago que o ajuste do câmbio pudesse fazer à estabilidade, fica claro que o pior já passou - em termos de reflexo. Em termos econômicos e sociais, o descalabro continua e os indicadores sociais e de crescimento estão aí expressando uma economia extremamente debilitada. Há um relatório do Banco Mundial, esta semana, mostrando esta fragilidade. É claro que ninguém deve aferir o momento econômico ou político pela performance do presidente FHC, por exemplo, afinal ele sempre aparece com abundante sorriso, mesmo nos piores momentos, que já se passaram.
-O otimismo retorna para a maioria dos agentes econômicos, depois do grande susto. Afinal, o mais preocupante era, para todos, o impacto da desvalorização cambial sobre a taxa de inflação. O descontrole seria o pior; é preferível enfrentar a recessão, administrável.
-Não precisava ter sido como foi. A desvalorização cambial significa variação de preços relativos e não teria por que provocar inflação permanente. Ela aumenta os preços dos bens negociáveis com o exterior em relação aos bens não-transacionáveis externamente e, em particular, aos salários e preços de serviços. A mudança de preços relativos aparece como uma inflação transitória nos índices de preços, conceitua a Fundação Getúlio Vargas. Mas há momentos em que a inflação transitória, motivada pela depreciação cambial, se transforma em inflação permanente e crescente. Afinal, vivemos numa economia cuja exportação é determinante na composição do produto interno, o PIB. Na economia brasileira isto está sendo contido pelo estômago e aumento da carência de bens, enfim pela demanda reprimida, no bom economês.


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