Oswaldo Petrin
-A busca da qualidade dos alimentos parece permear as ações do Conselho de Sanidade Agropecuária (CSA-Londrina) que tomou posse na segunda-feira, com o aval do Ministério da Agricultura para se transformar em modelo para outros Estados. O nível de produção no Brasil requer tempo e dinheiro para chegar ao padrão ideal.
-Por enquanto, o círculo vicioso não foi rompido: não há investimento em qualidade porque não há confiança no retorno do capital investido. No mercado interno a variável preço sobrepõe o fator qualidade, pelo menos no grosso do consumo. O próprio governo, para enfrentar a fúria de remarcações por ocasião do recente ajuste cambial, sugeriu a opção pelo mais barato.
-O orçamento fiscal, debilitado, não financia projetos de qualidade, enquanto a economia de mercado não distribui renda para potencializar o consumo e, assim, encorajar investimentos próprios. No mercado externo, a conquista de espaço demandará um longo prazo para encostar no padrão de fornecedores que começaram a buscar qualidade há muito tempo. Caso das frutas chilenas e da carne argentina.
-Mas o círculo tem que ser rompido. O presidente do CSA, engenheiro agrônomo Edison Mazei Ponti, acredita nisto: É preciso entrar numa espiral de sucesso; por enquanto estamos na espiral do fracasso, define.
-Em qualquer cenário, os fatores qualidade, competitividade e competência têm que ser perseguidos por questão de sobrevivência, seja na pecuária, nos grãos oleaginosos, enfim em todas as cadeias produtivas, de origem animal e vegetal. No entanto, o ambiente macroeconômico, depois de um período de dificuldades, dá sinais animadores.
-Internamente, por exemplo, a inflação pára de crescer e os juros oficiais têm ligeira queda. O País prepara nova emissão de bônus no valor de US$ 1,2 bilhão, no final deste mês. Há fortes indicadores de que o cenário se desanuvia, com a retomada dos superávits da balança comercial, a reação do real e o comportamento das bolsas. No global, outras economias emergentes também sinalizam com estabilidade.
-Não se deve esperar nada do governo, mas ele pode mudar o tratamento à agricultura e ir além dos discursos e das mentiras sobre disponibilidade de crédito com que se houve até agora. Ontem, por exemplo, os ministros Malan, da Fazenda; Pedro Parente, do Orçamento, e o presidente do Banco Central, Andrea Calabi, almoçaram com o ministro da Agricultura, Francisco Turra, para dar demonstração de apoio às propostas de Turra. Não anunciaram absolutamente nada, porém, estiveram juntos, o que não é comum. O governo quer ratificar sua disposição de aumentar para US$ 45 bilhões, em quatro anos, as exportações agrícolas (estacionadas em US$ 19 bi). O governo promete aumentar a disponibilidade de recursos e o orçamento do Ministério da Agricultura ano que vem.
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