- O governo quer dobrar os recursos disponíveis para financiar as exportações em 1997. A intenção é estimular as vendas ao exterior e, assim, controlar o aumento do déficit comercial no próximo ano. De janeiro a outubro deste ano, a balança registra um déficit de US$ 2,9 bilhões - um dos maiores dos últimos anos. Na proposta de Orçamento da União para 97, o financiamento às exportações deve ficar com R$ 1,093 bilhão. Quando o déficit aumenta o governo sai no desespero em busca do equilíbrio.
- Esta situação de déficit tem tudo a ver com a opinião expressa dias atrás pelo professor José Alexandre Scheinkman, da Universidade de Chicago, ao participar em São Paulo do seminário sobre ‘‘Custo Brasil e Ineficiência versus Globalização’’. Segundo ele, o Brasil ainda está muito pouco integrado com o resto do mundo, um dos fatores que seguram o crescimento da economia.
- O Brasil reduziu sua participação no comércio internacional, pelo menos entre 1980 e 1994, período em que os países emergentes mais cresceram. O coeficiente de abertura, que era de 20% em 1980, caiu para 15% em 1994. No mundo inteiro, porém, a tendência é de aumento, o que coloca o Brasil na contra-mão da história. Exemplos disso são o Chile, a Coréia e a China, cujos coeficientes foram crescendo até 50% no período.
- Apesar do fraco desempenho brasileiro, o técnico acha que a tendência é de crescimento. Para ele, o Brasil não tem condição de ter altas taxas de crescimento a exemplo de outros países emergentes sem ter uma abertura comercial maior. ‘‘Qualquer crescimento a taxas altas seria temporário.’’
- Para aumentar o crescimento econômico é preciso também maiores investimentos no que ele chama de capital humano (saúde e educação). Estudos do Banco Mundial mostram que enquanto no Brasil só 40% da população entre 11 e 14 anos tem curso secundário, na Coréia esse índice chega a 90% e no Chile, 70%.
- Segundo ele, é preciso também aumentar o capital físico (poupança interna e investimentos externos). Para que a poupança interna aumente, as contas do governo não podem continuar negativas. Além de diminuir o déficit público, é necessário incentivar a poupança privada e um passo importante nesse sentido será a reforma da Previdência, ressalta.
- Para Scheinkman, os frequentes déficits na balança comercial não apresentam perigo no curto prazo devido às reservas altas que o Brasil possui. Porém, a longo prazo, o déficit comercial reflete em parte o déficit fiscal do governo, um problema que precisa ser combatido logo. ‘‘Se o déficit fiscal não for solucionado, vai acumular uma dívida cujo serviço vai ser um albatroz no pescoço do governo.’’
- Coeficiente de abertura econômica: exportações mais importações dividido pelo (PIB).Reposição

- Contrariando previsão de analistas, uma eventual alta do gado de reposição ainda vai demorar, na opinião do presidente do Conselho Nacional da Pecuária de Corte, João Carlos Meirelles. Só deve ocorrer dentro de um ou dois anos.
Ativo financeiro
- E Marcello Cardoso Mendonça de Barros, diretor da Pouso Alegre Agropecuária, de Campo Grande (MS), lembra que, com a estabilização econômica, o gado deixou de ser um ativo financeiro e a realidade do mercado não comporta especulação.
Magro
- O bezerro vale R$ 123,00/128,00 na praça de Araçatuba, segundo a Fundação de Estudos Luiz de Queiroz (Fealq). Na região, um boi gordo equivale ao preço de 2,96 bezerros. Nas demais regiões e Estados, bezerro vale em média R$ 120,00.
Fêmeas
- O Conselho Nacional de Pecuária de Corte estima que os abates de fêmeas têm sido 20% maiores em 1996 em relação aos anos anteriores. Para alguns observadores, a valorização será imediata. Mas nem todos concordam.
É menor
- O presidente da Associação das Indústrias Exportadoras de Carne, Ferdinando Carollo, minimiza o impacto do abate de matrizes. Com metade dos abates ainda clandestinos, faltam dados que comprovem que mais vacas estejam indo para o gancho.

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