-Vira e mexe o mercado das maiores commodities pára, cria suspense e acaba em especulação. Enquanto isso, uma infinidade de itens com papel importante no abastecimento, também sofre aumento real, na carona do reajuste geral e irrestrito. O governo não reage. Falta reação e ação. Parece tapar os ouvidos para críticas e sugestões. Está inerte, não move nada em direção às reformas.
-Quantas vezes já não se ouviu falar, nas últimas semanas, que o Brasil precisa de um choque fiscal? Faltam medidas que permitam chegar a um superávit primário nas contas públicas superior à nova meta de 3,0% a 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), que está sendo estabelecida com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Apenas para citar como exemplo e pegar carona nas declarações ontem dos professores Roberto Campos e Affonso Celso Pastore. Não custa repetir o que tantos técnicos já falaram, Até por questão didática.
-Um ajuste fiscal desta proporção precisa ser feito com corte de gastos e subsídisos e representaria o ‘‘choque de credibilidade’’ necessário para que retorne a confiança externa no País, segundo avaliação daqueles economistas. O governo precisa perseguir um superávit primário equivalente a 4,0% do PIB. Um resultado entre 3,0% e 3,5% não representa um choque fiscal. ‘‘Para que os dólares retornem ao País, é preciso um choque de credibilidade e este será dado por um ajuste fiscal que permita alcançar um superávit entre 3,5% e 4,0%’’ do PIB, disse ele, durante palestra promovida pela Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).
-Para alcançar este superávit (que significa que suas receitas serão superiores a suas despesas nesta proporção, sem considerar as despesas com juros), o governo precisa cortar gastos e subsídios, segundo Pastore. ‘‘Não dá mais para aumentar em impostos e pensar em aumento de arrecadação por conta de novos tributos ou alíqutoas’’, avaliou, em entrevista à Agência Estado.
-A inflação, diz, vai ajudar a cortar despesas em 1999. Se o governo conseguir manter constante o salário do funcionalismo, essa despesa ficará fixa em termos nominais, permitindo uma sobra de arrecadação. ‘‘O governo vai deixar a inflação erodir despesas nominais’’.
-Pastore e Campos avaliam que o mercado internacional mudou radicalmente depois da crise russa. A não-intervenção financeira do FMI para salvar bancos que operavam na Rússia e sua consequente moratória, acabou deixando investidores muito mais receosos que após a crise asiática. No Sudeste Asiático, a instituição apoiou as economias e, indiretamente, garantiu o pagamento dos investidores internacionais.
-Na avaliação do ex-presidente do BC, a economia brasileira vai passar por uma recessão de proporções semelhantes àquelas que tomaram conta dos países asiáticos. ‘‘Podemos ter algo entre 4%, 5% e 6% de queda do PIB’’, observou. Com competência, e sem arrogância, isto poderia ser evitado.


Milho/lotes

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