Oswaldo Petrin
-O fraco crescimento do Probuto Interno Bruto (PIB) ano passado - divulgado ontem pelo IBGE - sinaliza o quanto vamos retroceder este ano, dando idéia do tamanho da recessão, certamente bem maior. Muitas vezes nos fará lembrar da década perdida dos anos 80. O Produto Bruto no ano passado ficou estável, com crescimento de 0,15% sobre o ano anterior.
-Modestíssimos 0,15%, para uma economia que teria de crescer 4,5%, pelo menos, para garantir mercado de trabalho para um crescimento que mantém uma média de 4,2%. Uma das causas deste efeito perverso foi sem dúvida a teimosia da equipe econômica chefiada pelo sr. Malan e sua opção preferencial por uma política monetária restritiva aliada a uma política fiscal anacrônica e frouxa. O resultado desta combinação insustentável - como alertara, certa vez, o economista norte-americano Thomas Sargent - só poderia ser estaganação. Que este ano de 99 terá novo ingrediente, combinando estagnação com inflação.
-Quem cresceu e quem perdeu, segundo os dados do IBGE. Na verdade, ninguém apresentou bom desempenho. Todos os três setores considerados no cálculo do PIB apresentaram variações acumuladas no ano muito pequenas. A agropecuária cresceu 0,36%, o setor de serviços subiu 0,75% e a indústria caiu 0,98%. Neste último, está incluída a chamada indústria de transformação, que mais fortemente pesa na formação dos índices e que no ano passado teve queda acumulada de 3,29%. Também a construção civil que participa do mesmo grupo, fechou o ano com crescimento de 1 7%, enquanto em 97 tinha crescido 8,45%.
-O fraco desempenho do ano passado surpreendeu o próprio IBGE: Tínhamos consciência de que o comportamento da indústria de transformação iria balizar o desempenho do PIB, afirma Roberto Olinto Ramos, chefe da Divisão de Planejamento do Departamento de Contas Nacionais do IBGE, à Agência Estado, ontem. Como a queda da atividade industrial foi acima do previsto, a avaliação do ano foi pior do que se esperava há três meses.
-A estimativa é de que a indústria de transformação - responsável, entre outros segmentos, pela fabricação de veículos, eletroeletrônicos e equipamentos industriais - prosseguirá em queda este ano, com apenas um alento: alguns ramos poderão recuperar, voltando-se para a exportação. Também a queda nas importações, com a alta do dólar frente ao real, é vista como um fator positivo, já que há a tendência de substituição de insumos importados por similares nacionais.
-Como os números de 98 surpreenderam negativamente, resta esperar que em 99 a surpresa seja no sentido contrário. Algo como acrditar em Papai Noel, convenhamos. O ajuste fiscal deve respingar em todo mundo, a não ser que - mais uma vez não seja levado a sério, o que também não é improvável, afinal o governo FHC é um governo fraco. Mas é preciso aguardar esses contornos, uma vez que a mudança do regime cambial é apenas uma etapa, que ainda não foi vencida.
Milho/lotes





