-O novo sistema de câmbio não trará, tão cedo, os efeitos desejados. A desvalorização cambial só vai implicar em uma recuperação expressiva das exportações brasileiras no médio e longo prazos. Portanto, ainda não se deve contar com o bom desempenho da balança. Não no primeiro trimestre, pelo menos. E quem imaginou ter chegado a hora de compensar longo período de vacas magras, sonhando com excelentes preços - em dólar - para as commodities agrícolas, por exemplo, errou.
-Vale lembrar que a correção da política de câmbio cria a condição necessária - ainda que não suficiente - para o início da recuperação da economia. Um bom resultado tem que passar, necessariamente, por um enorme ajuste fiscal que vai impor mais sacrifícios à Nação ‘‘por atacado’’: setores público e privado, empresas e trabalhadores. Tanto sacrifício poderia ter sido menor se o ajuste fiscal tivesse sido feito a tempo. Mas esta é outra questão.
-Quem está prevendo a frustração da balança comercial é a Confederação Nacional da Indústria. São considerados dois fatores: Primeiro a lentidão nas operações comerciais diante de incertezas e perda de credibilidade do governo. Em segundo lugar, na definição da CNI, porque tradicionalmente o primeiro trimestre é um período fraco de vendas externas por causa da entressafra agrícola e de commodities importantes na pauta dos produtos básicos exportados.
-Outra análise à parte: dificilmente se pode esperar que a queda de receita dos produtos básicos possa ser compensada por um desempenho melhor dos produtos manufaturados, como aconteceu no primeiro trimestre do ano passado. Por enquanto, segundo o documento, o financiamento das exportações depende fortemente das operações de ACC (Adiantamento de Câmbio), que por serem para as linhas de crédito externo, sofrem impacto negativo imediato em períodos de crise. Segundo o boletim, as empresas, mesmo com incentivos para exportar mais devido à desvalorização terão que descobrir e consolidar novos mercados.
-Na dúvida sobre o horizonte da estabilidade e, portanto, da receita as indústrias tratam de reduzir custos. Por precaução, os setores industriais consultados apontaram a ‘‘redução de custos sistêmicos’’ como fator fundamental para garantir a competitividade. O exemplo disso é a melhoria do funcionamento dos portos, que está sendo considerada lenta pelas indústrias e uma reforma tributária para desonerar as exportações.
-Os técnicos da CNI, responsáveis pelo documento, concluíram que a reação das importações poderá ser mais imediata à desvalorização, enquanto que o efeito nas exportações dependerá do tempo para que a taxa de câmbio fique estável e do tamanho da desvalorização em termos reais. Além disso, a busca de novos mercados vai demandar muito tempo.


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