- O governo decide mudar as regras para o leilão de bônus de trigo. Um dos motivos para os fracassos dos leilões de Prêmio de Escoamento de Produto é a exigência de fiança bancária de 120% sobre o valor dos bônus. Isso deixa de fora muitos interessados, dizem analistas. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Dias, anunciou ontem a criação de mais um tipo de leilão para tentar acelerar a venda da produção de trigo nacional. Ele teve uma reunião com empresários do setor moageiro e disse que o governo decidiu leiloar o produto entregue como garantia de crédito ao Banco do Brasil.
- Desde o dia 18 deste mês o governo tem promovido dois leilões de bônus por semana, mas o resultado está sendo considerado um fracasso pelos empresários. No leilão de ontem foram vendidas apenas mil toneladas. A safra de trigo este ano está estimada em 3 milhões de toneladas.
- Foram entregues como garantia 680 mil toneladas no sistema de contrato de equivalência ao produto. Parte dessas garantias já foram vendidas e agora o governo pretende leiloar o restante, antes que o trigo vire aquisição do governo federal.
- Dias disse, no entanto, que está sendo esperada a comercialização de 200 mil a 250 mil toneladas por mês. ‘‘Pela baixa qualidade da safra que está aí, não vai dar para operar mais do que isso’’, disse, em entrevista à repórter Irany
Tereza, das Agência Estado. Ele acredita que até abril o produto que está estocado em cooperativas esteja vendido.
- A reunião com representantes do setor mageiro ocorreu no Hotel Sheraton, paralelamente ao 4º Seminário Internacional do Trigo. Participou da reunião o diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil, Ricardo Conceição. Ele acha que o governo vai ter que injetar maior volume de crédito na próxima safra de trigo. Não sabe, contudo, de onde virão os recursos uma vez que as fontes oficiais atingiram seu limite este ano, restringindo o crédito à agricultura de abastecimento, através do Programa Nacional de apoio à agricultura familiar.
- O presidente da Abritrigo, Antenor de Barros Leal, disse ontem que se a greve dos portuários, inciada ontem, durar entre dois e quatro dias apenas, não deverá haver problema de abastecimento à indústria de massas e às panificadoras. Há dois navios carregados com trigo importado no Rio.
- Até o início da noite os portuários ainda não tinham decidido se continuariam ou não em greve. Segundo Barros Leal, os moinhos gerlamente têm estoque para um período de sete a 15 dias. Se a greve se estender, terão de começar a reduzir a produção, para alongar seus prazos de funcionamento. Ele acredita que neste caso haverá bom senso dos portuários, que, segundo ele, nas greves costumam liberar para descarregamento os produtos para alimentação popular. ‘

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