Oswaldo Petrin
-Apenas 60% dos produtos que passam pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura estavam em conformidade, e 100% dos vendidos sem fiscalização apresentaram problemas. É o que diz anúncio feito ontem pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) sobre contaminação no leite e queijo. Pesquisas apontaram condições inadequadas para o consumo. Entre os reprovados estão algumas marcas famosas (veja na página 5).
-A falta de higiene não chega a ser surpreendente, ainda que se trate de marcas conhecidas. O que intriga é que esses produtos condenados pelo Inmetro tinham inspeção do SIF, Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura. Portanto, a julgar pela forma como a notícia foi liberada, muitos lotes irregulares levam a chancela do SIF que, no caso, está respaldando a venda de alimentos impróprios para consumo humano.
-Uma declaração, ontem, do coordenador do Programa de Qualidade de Produtos do Inmetro, Alfredo Lobo, cai como um puxão de orelhas no próprio órgão do Ministério da Agricultura. Os dados são preocupantes, segundo ele, porque a forte presença de bactérias ou antibióticos detectadas pode causar problemas intestinais e outras doenças. Muito mais que as marcas reprovadas, o SIF terá que esclarecer essa perda de confiabilidade.
-Está certo que o produto sai da fábrica em condições ideais e após entrega à rede de varejo é mantido fora das condições apontadas pelo fabricante e pela fiscalização. Isto configura um problema do varejo, portanto. Mas o varejo não responde por nada. Quem vai para o ralo é a marca que, às vezes, pode ter levado alguns e muitos investimentos em marketing para se firmar. Além disso, o problema não se resume na estocagem em temperaturas ideais.
-Ninguém duvida que ao divulgar os dados os órgãos do governo quiseram romper - via desmoralização - a resistência dos representantes da produção à decisão, anunciada dias atrás, de eliminar o tipo C. Embora os resultados alarmantes divulgados ontem tratem de deficiência de fábrica - e não do envase -, é certo que o setor como um todo não resiste a uma fiscalização mais firme, sob pena de colapso no abastecimento de leite e derivados.
-Mas que não fique apenas nisso. Também o principal órgão fiscalizador, o SIF, deve ser melhor equipado. Se o nosso leite de cada dia continuar o mesmo (do latão que sai da ordenha, e vai batendo sob forte calor em cima de caminhões, à geladeira da padaria que fica aberta e pouco ou nada conserva) vamos ter um problema do tamanho do abate clandestino, que é mesmo um caso de polícia aqui no Paraná, expondo toda impotência da estrutura do governo encarregada de saneá-la.
-Finalmente, vale observar que a constatação divulgada ontem pelo Inmetro é um alerta para o consumidor. Agora sabemos que não basta observar se o produto é sifado. Tem que ter sorte!
Açúcar/queda





