-O governo ainda não descartou a possibilidade de taxar as exportações de soja e café. No caso da soja, pressionado por parte das indústrias que, no entanto, negam gestões neste sentido. Segundo as cooperativas, o governo já teria definido a alíquota, 3,5%, acordada com o percentual cobrado pela Argentina. De fato, na crise de caixa que enfrenta, governos federal e estaduais não querem prescindir da menor oportunidade de faturar.
-E a taxação, somente da soja, representaria, em 99, uma arrecadação adicional de R$ 100 milhões. Esta receita seria obtida com a alíquota estipulada. Como se vê, é uma quantia nada desprezível. Estes cálculos estão em poder do secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, sr. Cláudio Considera, que os exibiu numa reunião polêmica na última terça-feira, com representantes da indústria. Cláudio Considera disse que nada existe de concreto - no momento - sobre a taxação, que antes seria discutida no Congresso Nacional. Portanto, como se observa, ele deixou entrever que a disposição de taxar existe. E a pressão de setores industriais também.
-Ontem, o departamento econômico da Confederação Nacional da Agricultura confirmou que o governo fez simulações sobre os valores a ser arrecadados com a cobrança da taxa de exportação. O discurso para justificar a medida seria o de evitar a inflação e desabastecimento, riscos que a CNA descarta.
-Como se vê, a Faep tinha razão. Foi a primeira instituição a denunciar as articulações neste sentido, na semana passada, através de artigo enviado à imprensa pelo seu presidente, Ágide Meneguette. Ele acusou as indústrias (que, num primeiro momento não negaram) de pressionar o governo nesta direção. Até terça-feira o assunto vinha sendo tratado discretamente em reuniões técnicas da Câmara de Comércio Exterior (Camex). A denúncia de Meneguette, aqui no Paraná, jogou coisa no ventilador.
-O motivo da taxação todos sabem: compensar a lei Kandir que retirou a cobrança do ICMS das exportações de soja em grão e produtos semi-elaborados, desonerando o setor produtivo. Todos aplaudiram na ocasião, os benefícios foram muitos. Só que em 77/78 saiu muita soja em grão. Ao exportar a matéria-prima, digamos bruta, a economia deixa de agregar valores. Como os Estados deixaram de arrecadar, a criação da taxa, neste momento, seria uma compensação pelas perdas de receita decorrente da isenção do ICMS.
-Populistas, incapazes de tomar medidas firmes que impliquem em perda de votos, os governos estaduais não enxugam a máquina. Onerosa, a máquina administrativa precisa sempre mais e mais. É o saco-sem-fundo do setor público que está levando o País à falência. A origem de tudo isso é a gastança. Ninguém está preocupado com agregação de valores. Tampouco com a inflação, como sugere o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera.


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