Oswaldo Petrin
-A retirada dos subsídios do álcool (matéria principal desta página) não significa que o governo, neste momento, bate em retirada total do setor. Mas dá os primeiros sinais de como vai agir: nada além de um certo monitoramento. Problema é que no Brasil quando o governo deixa de intervir num determinado setor da economia, em geral é para se livrar de problemas, em vez de significar, resolução de problemas. O caso do álcool é um bom exemplo.
-Pelo sim ou pelo não, a decisão anunciada ontem tem pelo menos o mérito de fazer com que os dirigentes do setor tenham uma definição imediata. Assim, os produtores que se reúnem hoje na Bolsa Mercantil e de Futuros (BM&F) para iniciar a constituição de uma empresa para controlar estoques e promover o equilíbrio entre oferta e demanda, têm um pouco mais de clareza para fixar os rumos da futura empresa.
-O governo começa a sair do setor a partir de hoje. A Brasil Álcool S/A deve reunir produtores das Regiões Centro e Sul e pretende integralizar uma cota mínima de 1,2 bilhão de litros de álcool como estoque regulador. Hoje o setor estará desregulamentado.
- Sinais de alívio É cedo para comemorar, mas o dólar caiu de forma acentuada ontem. Digamos que não foi uma queda mas a interrupção na escalada ascendente, no bom economês. O mercado de commodities continuou na dele, segundo operador de mercado de uma cooperativa. Da mesma forma que não transpareceu forte nos preços, durante os dias de flutuação - ao contrário do que se esperava -, também não repicou ontem. Sem pressões e boatos, o dólar caiu 7,25%, fechando em R$ 1,92.
-Normal: o dólar paralelo sempre foi vendido com ágio sobre as cotações do mercado comercial, que baliza as operações de importação e exportação. Pesquisa da empresa de consultoria Economática revela que, durante o Plano Real, o paralelo foi comercializado em São Paulo com ágio médio de 4% a 5% sobre o comercial. Desde 15 de janeiro, quando o Banco Central liberou o câmbio, o ágio do black caiu para 0,8%.
-Isto não afasta a necessidade de choque fiscal, moratória interna ou coisa semelhante. A economia não se refez dos impactos das últimas semanas. Mas, pelo menos, dá para sentir algum alívio.
-Para alívio dos agentes econômicos não especuladores, hoje o dólar deve ganhar mais um chega prá lá, do pessoal do FMI. A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), que está no Brasil, deve discutir formas de reduzir a disparada do preço do dólar, comum em períodos pós-liberação cambial. Ou seja, a visita não é um passeio e o mercado acredita que os juros continuarão altos, as metas de ajuste fiscal serão renegociadas e o câmbio poderá contar com um freio para impedir as altas desenfreadas Fonte (AE).
Soja/Paraná





