-Na quebra de braços entre pecuaristas e frigoríficos, quem ganha é a avicultura de corte. Que, aliás, cresceu muito, nos últimos 15 anos por ter investido em tecnologia e marketing, enquanto o boi dormia. O esforço do pecuarista para que o boi volte a ser ativo real, esbarra no abatedouro (ver entrevista de Péricles Salazar, do Sindicarnes, à repórter Vânia Casado, nesta página) e no consumo, que ainda não aceita remarcações. Ontem, nos grandes centros, o quadro era o seguinte: a falta de carne bovina no atacado e no varejo - provocada pela predisposição dos pecuaristas em segurar o rebanho - elevou o consumo e os preços da carne de frango. Em menos de uma semana, os preços do quilo do frango já subiram cerca de 25%, passando de R$ 0,60 para R$ 0,75. O preço da arroba do boi, contudo, subiu 6,8% desde o dia 13 de janeiro. Há divergência com relação ao boi: a Scote Consultoria, por exemplo, diz que a desvalorização do real, os preços da arroba subiram 12,3%.
-Segundo Sérgio Galiano, da Fortune Consultoria (a Eduardo Magossi e Alda do Amaral, da Agência Estado), ao segurar o rebanho, o pecuarista faz uma propaganda negativa para ele mesmo. Com a retração da oferta da carne bovina, a carne de frango acaba ocupando este espaço que não é mais recuperado.
-Em São Paulo, o varejo não tem carne bovina para colocar nas prateleiras e acaba colocando carne de frango, que é um mercado mais estável e mais organizado. O atacado também está reticente na compra de carne bovina porque os preços ofertados pelos frigoríficos estão altos. Segundo ele, o resultado deste processo é que a antipatia do consumidor pela carne bovina crescerá.
-O frango congelado está com preços firmes, negociado entre R$ 1,15 e R$ 1,20 o quilo no mercado nacional, mas em SP enfrenta a concorrência do resfriado. Neste mercado, está cotado a R$ 1,12 no atacado, segundo o responsável pela área de vendas de uma grande indústria do setor.
-De acordo com ele, a oferta do produto começa a diminuir porque indústrias do setor estão redirecionando sua produção para a exportação, que, com a desvalorização cambial ficou mais vantajosa.
-No caso da empresa em que atua, 35% de volume produzido este mês que iria para o mercado interno foram redirecionados para a exportação. Este produto será embarcado em fevereiro, quando, então, o setor espera que a situação do câmbio já esteja mais equilibrada.
-Os preços do frango abatido também registram alta, apesar de o mercado estar fraco em função do período de férias. No mercado regional, o resfriado é negociado entre R$ 1,10 e R$ 1,15 o quilo, segundo fonte do interior paulista. Na capital, sai a R$ 1,05 na maioria das negociações. Ela disse que está ocorrendo um repasse do custo de produção para o frango abatido e criticou o fato de redes do varejo estarem questionando os atuais preços.


Milho/atacado

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