Oswaldo Petrin
-Cadê o governo? De novo, como acontecera em malogros anteriores, só terá faltado o governo fazer a parte dele, para evitar mais uma frustração nacional. Isto para quem insiste em ser otimista e se recusa a aceitar o fim do Plano Real. que foi bom enquanto durou, exceção do sacrifício imposto ao setor primário, agricultura e as muitas atividades interligadas.
-Acreditar é preciso. Mas, quando vemos técnicos de credibilidade no setor privado, no mundo acadêmico, enfim, técnicos como o professor Ismael Mologni, de Londrina - que ainda ontem comparou o quadro à teoria do pânico -, admite-se que, realmente, as chances são poucas. Até porque a equipe comandada por Malan, tecnicamente, não tem perfil para reverter o quadro. E, politicamente, o governo é fraco, não tem sequer comunicação. Conseguiu, no máximo, conduzir o plano até aqui graças a âncoras e sacrifícios distribuídos para todos. Menos para o governo, é claro.
-Como profissão de fé na sobrevida do Plano - pelo menos até que o governo viabilize as reformas -, pode-se assegurar que a economia, hoje, não está tão exposta à explosão inflacionária como em planos anteriores. Hoje pode-se contar com o consumidor como aliado consciente. Nada de patriotada, mas para o seu próprio interesse. Com preços na memória, após quatro anos de estabilidade, ele não vai ingerir altas de preços sem uma boa explicação. Ciosa do seu interesse, a sociedade, hoje cobra mais. O próprio governo ameaça com redução de taxas de importação nos primeiros sinais de remarcação exacerbada.
-E o varejo ameaça endurecer com fornecedores que reajustarem os preços fora de parâmetros. Ontem, por exemplo o Grupo Sendas, terceiro maior importador de alimentos do País, suspendeu temporariamente as compras de produtos importados por causa da desvalorização do real. Enviamos cartas aos fornecedores sustando os embarques para esperar baixar a turbulência, afirmou Artur Sendas, presidente da rede de supermercados que, no ano passado, importou cerca de US$ 100 milhões,
-Outra coisa, para alimentar nosso otimismo - ou atenuar o pessimismo nacional: Embora fraco, o comando do governo de hoje é melhor. Não se pode comparar Sarney, Collor e Itamar com Fernando Henrique. Portanto, o Plano Real, com todo so os desacertos foi melhor que os anteriores. E teve a graça de ser concebido em governo bem diferente. Também o sistema financeiro hoje está melhor.
-E, com relação às reformas, determinantes na sustentabilidade do plano econômico, não se pode negar que são vistas, hoje, com mais seriedade e menos corporativismo defensivo-emocional. Portanto, como já foi dito e reiterado: Por maiores que sejam as dificuldades de se aprovar medidas que reduzam as despesas públicas, nunca a sociedade esteve tão consciente e disposta a cobrá-las. E também nunca esteve tão perto de delas.
-Por tudo isso, vale lembrar que há uma pontinha de esperança.
Moratória





