-O setor têxtil ameaça: com as atuais taxas de importação da pluma, entra em crise e leva consigo outro segmento numeroso: o de confecções. Há uma exagero nesta afirmação, mas a crise da indústria têxtil brasileira - tecnicamente superada no tempo e no espaço comercial, antes mesmo da globalização - serve pelo menos para mostrar que as coisas continuam muito excludentes na cadeia têxtil. A ponta da produção já sofreu tanto com o favorecimento das importações que não tem mais o que perder (econômica e socialmente). Contudo, se a indústria têxtil conseguir a redução das tarifas de importação, aí sim, a produção de matéria-prima vai desaparecer.
-E o que pretende a indústria têxtil? Quer tentar reduzir o impacto da desvalorização cambial nos preços (ontem o dólar voltou a subir - veja nas páginas de Economia) de toda a cadeia produtiva do setor. Os empresários vão pedir ao governo, na próxima semana, a redução da alíquota de importação do algodão em pluma de 8% para 0% e também providências para o comportamento do setor petroquímico, que dolarizou os preços sem que a Petrobras tivesse feito o mesmo. A decisão foi tomada ontem, durante uma reunião extraordinária de cerca de 50 representantes de toda a cadeia têxtil, da matéria-prima à confecção.
-Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Paulo Skaf, o setor deve também procurar negociar com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma prorrogação de prazo para o pagamento de dívidas em dólar. Ele não soube informar o total desta dívida.
-Se estas reivindicações forem atendidas e a desvalorização do real ficar entre 15% e 20%, imagina Skaf, os preços em toda a cadeia têxtil produtiva devem se manter estáveis. Até o momento, explicou, a indústria não chegou a nenhuma conclusão em relação a preços, baseada apenas na desvalorização do real, porque o mercado continua muito instável. ‘‘Mas queremos minimizar a elevação dos custos com atitudes pontuais porque aumento de preço significa menor consumo’’, disse. A intenção dele é encontrar-se com os ministros da da área econômica na segunda-feira.
-Ele explicou que a redução da alíquota de importação do algodão beneficiaria muito o setor porque 70% dos produtos têxteis nacionais usam o produto. O volume de algodão em pluma usado no Brasil é de 800 mil toneladas/ano, sendo metade produzida no País e a outra, importada. Skaf lembrou também que, como o algodão é uma commoditie, ganhou imediatamente com o ajuste cambial e que, portanto, nem o produtor nacional saiu prejudicado.
-O presidente da Abit considera que, no momento atual, com um cenário recessivo e alto índice de desemprego, não há como absorver reajustes que não sejam estritamente necessários. (Entrevista à Vera Dantas, repórter da Agência Estado)


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