-Sinas de melhores dias para o setor sucroalcooleiro. Entre os dias 12 e 18 de janeiro, o preço do açúcar, pago ao produtor (usina) no mercado interno subiu 2,77%. No mesmo período, no mercado internacional, o preço caiu 2,93%. A queda foi menor do que a desvalorização cambial, segundo dados da Bolsa de Mercadorias & Futuro (BM&F). ‘‘Passou a ser mais interessante exportar açúcar, o preço de exportação ficou melhor do que o mercado interno’’, comentou ontem o analista de mercado da BM&F, Manoel Félix. Entre as commodities agrícolas, foi sobre o açúcar que o impacto da mudança cambial exerceu maior influência.
-A tendência, este ano, é o Brasil aumentar a exportação. além do benefício do aumento da exportação de açucar, o setor sucroalcooleiro vai produzir menos álcool, contribuindo para enxugar o excedente de álcool que é alto e tem preocupado o setor.
-O setor tem passado por momentos difíceis. O grande volume produzido e exportado pelo Brasil em 97/98 derrubou os preços até o mais baixo nível da década tanto no mercado doméstico como lá fora. Os estoques de álcool, estimados em 1,8 bilhão de litros, se transformaram em problema que condicionou o mercado interno. Sem possibilidade de colocar o produto, as usinas só dispunham de um produto abundante e barato, o açúcar, para girar seus negócios.
-Essa conjuntura não só retardou como obrigou a marcha a ré no processos de liberação de preços do álcool hidratado e da cana, previsto para ano passado. Surgiram, assim, várias medidas do governo, muitas de difícil execução, tentando implementar as sugestões do setor como linha de crédito especial para financiar estoques, aumento de 22% para 24% na proporção do álcool misturado à gasolina, autorização à Petrobrás para adquirir até 500 milhões de litros em nome do governo, frota verde, etc.
-Nessa radiografia do setor, vale acrescentar ainda os baixos preços na última entressafra, a queda por conta da crise da Rússia, grande importador brasileiro, e a reação após a perda de produção provocada pelo furacão Mitch na América Central.
-Na virada do ano, o mercado refez as contas e as possibilidades de exportação de açúcar e álcool. Houve a redução temporária das alíquotas do imposto de importação na Rússia.
-Em meio a este diagnóstico, o governo iniciará hoje um levantamento dos estoques de álcool nas usinas do País para definir as compras de 400 milhões de litros excedentes a partir de 15 de fevereiro. Ao fazer o anúncio ontem, durante audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, o diretor da Agência Nacional de Petróleo, Julio Colombi Netto, advertiu que o governo não adimitirá fraude nos estoques.


Açúcar

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