-O professor Ismael Mologni, da UEL, consultor de empresas e especialista em mercado de commodities, disse ontem que atacado e varejo devem estar preparados para o ‘‘efeito repúdio’’, referindo-se ao comportamento do consumidor diante de reajustes que considera exagerados. Portanto, ninguém deve pegar carona nas mudanças que ocorrem no câmbio para elevar preços. Os preços estão na memória de todos. As taxas de juros também. A maior punição para quem tentar remarcar é a perda de clientela.
-E sobre aumentos ‘‘indevidos’’ nos preços dos insumos agrícolas, o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti (página 5), disse que o mercado vai regular o comportamento dos preços. Se o câmbio realmente se firmar nesses patamares, a agricultura pode até importar, se for interessante.
-A propósito de preços no varejo, o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo, garantiu ontem que a liberação do câmbio não irá provocar aumento nos preços das mercadorias, porque ‘‘não há nenhum espaço para repasses de preços ao consumidor’’. Segundo ele, o impacto da desvalorização do real frente ao dólar também deverá ser pequeno para os supermercados porque a participação dos produtos importados acabados no setor é de apenas 2%. ‘‘A tendência é de que os importados sejam substituídos por produtos nacionais’’, afirmou.
-O presidente da Abras disse que a expectativa do setor para este ano é a de manter o mesmo faturamento do ano passado, que foi de R$ 54 bilhões, registrando um aumento de 5,98% em relação a 1997. ‘‘Se repetirmos este número já está muito bom’’, afirmou, explicando que há uma previsão de queda nas vendas neste primeiro trimestre de 2% em relação a igual período do ano passado. ‘‘O quadro atual da economia é muito complexo e a incerteza acaba afetando o consumidor’’, observou. Mesmo assim, informou que os supermercadistas trabalham com a expectativa de obter um lucro líquido de 12% este ano, o que corresponde a 1% ao mês. Este indice é inferior ao ano passado, quando a rentabilidade obtida foi de 15%, e a 1997, quando a margem de lucro obtida foi de 18%, segundo ele.
-Ainda com relação aos produtos importados, José Humberto Pires disse que o impacto da desvalorização do real nos preços dos produtos só deverá ocorrer dentro de 60 dias, quando as empresas - que possuem estoques remanescentes - forem renovar seus pedidos. Ele explicou que além dos produtos acabados possuirem uma participação de somente 2% nas vendas dos supermercados, os itens que têm participação indireta (componentes importados para produtos que são montados ou reprocessados no País) e as matérias-primas e insumos usados na produção interna também têm um peso pouco expressivo.
-Apesar do impacto da liberação do câmbio ser pequenos sobre as vendas dos supermercados, o presidente da Abras disse que os empresários estão preocupados com o avanço das grandes redes estrangeiras no setor. (AE).


Soja/Paraná

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