-As boas notícias no ‘‘day after’’ da mudança d câmbio. 1) Somos mais competitivos, a julgar pela opinião dos compradores, pelo menos. É que os japoneses gostaram da desvalorização da moeda brasileira. Café, soja e açúcar produzidos no Brasil ficam mais competitivos no mercado, e os japoneses, menos dependentes dos EUA. 2) A análise está batendo com a informação que vem do outro lado: os produtores norte-americanos estão apreensivos com a desvalorização da moeda brasileira. Não é uma boa coisa para as nossas exportações, diz um analista norte-americano. 3) Exageros à parte, de fato o produto brasileiro ganha competitividade no mercado externo. Já as
exportações dos EUA, ao contrário, podem perder mercado para o Brasil nos produtos em que eles competem, como a soja.
-Afora esta repercussão efêmera - amanhã o quadro pode ser outro -, podemos ver, por exmeplo que o decano de economia da PUC-Rio de Janeiro, o experiente professor Luiz Roberto Cunha, está otimista. Segundo ele, à Agência Estado, ontem, a desvalorização do real em quase 9%, consequência da mudança promovida na política cambial brasileira, não deverá ter impacto inflacionário - vale dizer, a estabilidade da moeda não está em risco. Nem o encarecimento do preço do petróleo importado preocupa.
-O ajuste encarecerá as importações, mas no caso da mais importante delas, a de petróleo, não haverá nenhuma necessidade de correção de preços. O petróleo, lembrou, está com cotações em queda no mercado internacional. Ele recordou ainda que os preços dos combustíveis no Brasil já estão alinhados e suportam bem a importação de petróleo a um dólar mais caro.
-Além disso, a desvalorização não foi um porcentual determinado pelo governo, mas sim a antecipação do que seria a correção cambial ao longo de um ano. A desvalorização, destacou, pode até vir a ser menor, se tudo der ‘‘especialmente certo’’. ‘‘Afinal, o câmbio é flutuante e, portanto, dependendo das circunstâncias ele pode flutuar mais próximo do limite superior da banda cambial, ou mais prósimo do limite inferior’’. Assim, repassar logo a correção cambial para os preços de insumos importados seria um tanto precipitado, na opinião do economista.
-O governo teria mesmo de tomar a decisão de mudar o regime cambial e todos estavam convictos de que isso ocorreria. ‘‘Só que se esperava que isso fosse feito lá para março ou abril’’, admite o professor Cunha, acrescentando, contudo, que a mudança teve de ser promovida logo, por causa da enorme saída de divisas do país na segunda-feira, por sua vez provocada pela moratória em Minas Gerais. Cunha não tem dúvidas de que tecnicamente a mudança já estava preparada, aguardando apenas o momento propício para ser anunciada. O ato de Itamar, entretanto, levou à fuga de divisas e à urgência em introduzir a nova política cambial, como forma de enfrentar mais um ataque especulativo contra o real.


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