-A queda dos juros está descartada, para quem acha que o alargamento da banca cambial (há quem diga que o ajuste merece uma conotação de minidesvalorização). O governo tem que manter as taxas altas para atrair os investidores, embutindo aí, a esta altura, forte dose de risco. Mas juros altos aceleram o processo a debilidade da economia interna. Economia em recessão é desemprego, é pressão social. O professor Ismael Mologni, de Londrina, acha que isto pode desembocar numa moratória menos dissimulada do que se pensa.
-O que o ajuste de ontem realmente sinaliza só será possível saber, com mais clareza hoje ou amanhã. Há muitas pendências. A reação do setor agropecuário, por exemplo, sugere que este segmento será, novamente prejudicado. Nem tanto, a primeira vista. Mas a leitura dos líderes não é nada otimista (ver matéria neta página).
-O economista Lauro Vieira de Faria, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), disse que o ajuste cambial era ‘‘inevitável’’, mas teria sido melhor que tivesse sido feito após a aprovação do ajuste fiscal. Redator-chefe da revista ‘‘Conjuntura Econômica’’, Faria disse que a saída de Franco indica que o governo brasileiro tende a abandonar a política monetária tradicional para tentar impulsionar o desenvolvimento econômico via mudança no câmbio para provocar redução dos juros.
-Na carta do Ibre, divulgada ontem, por mera coindicência, o instituto estabeleceu quatro cenários para a economia brasileira este ano: a) política econômica ortodoxa com crédito externo, b) política econômica ortodoxa sem crédito externo, c) política de desenvolvimento com crédito externo e d) política de desenvolvimento sem crédito externo. Os dois primeiros cenários, segundo Faria, em entrevista ao repórter Gustavo Alves, da AE, perderam força com a mudança de comando no BC.
-Segundo as projeções do Ibre para este ano, caso haja incentivo ao desenvolvimento econômico e entrada de capitais externos, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer de 0,5% a 1%, a inflação vai ficar em 5%, a taxa de desemprego aberto, em 7,5%, e a taxa de juros real deve chegar a 15%. Dentro deste cenário, deve haver desvalorização de 15% do câmbio comercial, com saldo da balança comercial de US$ 3 bilhões no fim do ano, déficit das transações correntes de US$ 25 bilhões e estabilização das reservas em US$ 50 bilhões.
-No cenário que prevê incentivo ao desenvolvimento sem atração de capitais do exterior, o Ibre projeta que a variação do PIB este ano deve ficar entre -0,5% a 0,5%. A inflação fica em 10%, a taxa de desemprego aberto chega de 9% e a taxa de juros real, a 18%, e a desvalorização do câmbio comercial chega a 30%. O saldo da balança comercial, nesta situação, seria de US$ 6 bilhões no ano, com déficit de US$ 22 bilhões nas transações correntes e queda das reservas internacionais para US$ 25 bilhões.


Efeitos

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