Oswaldo Petrin
-Uma notícia boa e uma notícia negativa para o setor sucroalcooleiro. A boa é a quebra da safra nacional. Se depender da produção desta safra, a oferta será menor, este ano. Um fator a menos para achatar os preços. O menor excedente exportável do Brasil pode conferir suporte aos preços, segundo analistas de mercado. A produção brasileira de açúcar deverá atingir 15,2 milhões de toneladas contra uma estimativa de 18 milhões de toneladas. Diferença eleva o nível do estoque de álcool.
-A notícia indesejável saiu no meio da semana: é o relatório da F.O. Licht, empresa de consultoria internacional do setor. Segundo o relatório, os preços internacionais de açúcar não devem se recuperar em 1999 devido à expectativa de um excedente, na safra mundial de 1998/99, de mais de 1 milhão de toneladas.
-Embora dirigentes de destilarias admitam que nenhuma das informações deve causar impacto na agroindústria do setor, técnicos do governo acreditam num alívio temporário, para a comercialização. Governo e setor privado terão fôlego para retomar as discussões em torno do Proálcool e, quem sabe, agilizar projetos periféricos como a frota verde e outros incentivos.
-A F. O. Licht, está informando que os preços mundiais continuarão, em 1999, dependentes da Rússia e de seu programa de importação. Apesar da menor produção, as importações devem ser menores devido aos embarques expressivos efetivados no ano passado.
-Problemas financeiros serão o principal obstáculo para as importações russas em 1999. As autoridades russas planejam substituir o atual sistema de tarifas com um sistema sazonal de impostos, que seria de 45% para demerara entre primeiro de agosto a 30 de novembro e 5% entre primeiro de dezembro a 31 de julho.
-Segundo a Licht, a demanda importadora do leste europeu em 1999 poderá cair em cerca de 1 milhão de toneladas. Pressão deverá vir também da redução do crescimento econômico nos Estados Unidos. O relatório, conforme o repórter Eduardo Magossi, da Agência Estado, prevê que a safra de beterraba menor que a esperada na Europa não terá um efeito dramático nos preços embora as exportações européias devam ser menores em 1999.
-Entretanto, a China e a Índia não devem ser grandes importadoras em 1999 embora a demanda do leste da Ásia possa aumentar à medida que as dificuldades econômicas forem reduzidas.
-A Licht acredita que um crescimento de 2% da população e um consumo inalterado irá equilibrar o superávit na produção. Porém, este equilíbrio ainda não foi encontrado e a produção global continua sendo maior que a demanda.
Soja/Paraná





