-Os três ministérios da área econômica (o da Agricultura, da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) divulgaram ontem os dados sobre o fechamento da balança comercial brasileira. Cada um tratou de realçar seu setor: a Agricultura mostrando a alavancagem na balança proporcionada pelos produtos primários e agroindustriais; a Indústria e Comércio e Fazenda tentando justificar a perda de receita, apesar do maior volume físico exportado. Isto, aliás, vale tanto para os manufaturados como para as matérias-primas e derivados do complexo soja e sucos cítricos, como polpa e suco concentrado.
-A ancoragem que o plano real adotou para segurar a inflação, sacrificando o setor primário, excedeu no suporte ao programa de estabilidade, sustentando também o equilíbrio de divisas. Os números podem ser vistos na principal matéria desta página. A agricultura, com todos os percalços, teve bom desempenho e salvou a pátria. Poderia ser menor, não fosse o aumento da oferta das principais commodities, que derrubou os preços internacionais. Veja o caso da soja, por exemplo.
-Como mostram os números, a balança comercial de 1998 registrou déficit de US$ 6,430 bilhões. As exportações somaram US$ 51,120 bilhões no ano, o que equivale a uma queda de 3,53% em relação a 1997. As importações totalizaram US$ 57,550 bilhões e apontaram retração de 6,19% na mesma comparação.
-Como em outros setores do agronegócios também no âmbito da exportação faltou competência e sobrou má vontade. É verdade que o resultado das exportações refletiu a conjuntura adversa da economia mundial no período. E este ‘‘déficit’’ de criatividade na gestão da economia não pode ser debitado apenas ao governo, o setor privado também desperdiçou oportunidades para vender. O grande obstáculo, contudo, foi o câmbio.
-Dados do FMI chegaram a apontar em meados do ano um crescimento de 2,4% nas exportações anuais do mundo todo. Em dezembro, a previsão foi alterada para uma queda de 1,3%. No texto - divulgado ontem pelas agências Folha e Estado - os ministérios ainda argumentam que as exportações brasileiras haviam crescido 4,8%, em valor, no primeiro semestre de 1998 na comparação com igual período do ano anterior. O percentual, entretanto, se mantinha abaixo da expectativa inicial do governo de aumento mensal superior a 10%. No segundo semestre, os embarques caíram 10,8% em relação ao mesmo período de 1997. ‘‘Esse resultado seguiu a tendência de retração da demanda internacional face à crise asiática, agravada pela moratória da Rússia, em agosto’’, informa o texto. Esse cenário provocou a retração da demanda mundial por produtos estrangeiros, em especial na América Latina, e acentuou a queda dos preços internacionais das commodities. As vendas externas de produtos manufaturados, por exemplo, haviam
aumentado 14,3% no primeiro semestre, principalmente por causa da demanda dos países latino-americanos. De julho a dezembro, apresentaram queda de 10,2%. Mas o grande impacto ocorreu mesmo com a agricultura que exportou mais e converteu menos.


Soja/Paraná

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