-A entrevista do Ministro Francisco Turra, na página 5 deste caderno, destaca a promessa do ministro de ‘‘atacar’’ o que ele chama de ‘‘arcaica’’ legislação trabalhista rural. É a primeira vez que um ministro bate - ou pelo menos ameaça bater - de frente com este problema. O ministro Almir Pazzianotto, da suprema corte trabalhista, tem criticado sistematicamente a legislação do campo, mas não sai da crítica. A impressão que se tem é que está mais preocupado em falar a linguagem dos empregadores do que flexibilizar a lei. A exceção das críticas não se tem conhecimento de ações mais concretas por parte daquela autoridade.
-O importante é que a interferência não venha demolir conquistas, mas remover os entulhos que impeçam a ampliação das chances de emprego no campo. Se não for com esta finalidade, não terá havido avanço algum. E o governo parece querer fazer exatamente isto, facilitar a empregabilidade. A mudança da lei não pode ser um fim, mas um meio para facilitar a vida de quem oferece o posto de serviço, sem prejudicar os direitos do trabalhador. Que a lei tem que mudar, não há dúvida. Mas deve haver um consenso de ganho a ganho, não de perdas e perdas, ou seja o resultado das mudanças deve ser ganhos bilaterais. Ninguém pode sair perdendo.
-Parece preocupar a medida tomada ontem pelo ministro Francisco Dornelles, do Trabalho e do Emprego. Ele interveio numa questão pontual, o impasse dos metalúrgicos, muito mais um episódio do que um problema conjuntural ou estrutural, como o desafio maior que é a adequação da legislação para o campo. O problema trabalhista no campo requer que técnicos de governos e setores interessados estudem profundamente uma proposta de adequação. O problema dos metalúrgicos da Ford, embora grave, dá dividendos em termos de mídia. Mas até neste aspecto não é um om ‘‘investimento’’ para o ministro por se tratar de episódio efêmero.
-Segundo Dornelles, não cabe ao governo se envolver em problemas isolados que envolvam uma determina empresa e seus empregados. A opção do governo é criar oportunidades de criação de empregos. ‘‘Nós vamos fazer uma política ampla de empregos’’, afirmou. É aí que se encaixa a mudança na legislação trabalhista, que na visão dos ministros Francisco Turra e Pazzianotto, inibe a contratação de trabalhadores.
-A política de emprego passa pelas reformas estruturais da economia que visam eliminar o déficit do setor público. ‘‘Com isto esperamos reduzir a taxa de juros’’, explicou. O governo, segundo Dornelles, vai fazer um grande esforço para envolver também pequenas e microempresas na exportação.
-O ministro ressaltou que o País vive uma nova realidade na indústria. ‘‘Houve uma desconcentração industrial, investimentos em vários Estados e outras mutações nestas áreas’’, explicou. O governo, afirmou, vê com grande satisfação todo movimento de geração de emprego e com ‘‘pensar cada vez que temos notícia que está havendo desemprego em determinada empresa’’.


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