Oswaldo Petrin
-O mercado acionário é, por definição, um instrumento especulativo. As bolsas são especulativas. Mas são também um parâmetro aferidor da boa performance e da saúde das economias local e mundial. É o desconfiômetro sensível, exacerbado. Reagem a qualquer acontecimento que possa exercer direta ou indiretamente influências sobre o comportamento dos agentes econômicos. Portanto, são especulativas, mas são um indicador-sinalizador de circunstâncias.
-E ontem, segundo dia ativo do ano, as bolsas estiveram apáticas, com um pé atrás. Segundo analistas, enquanto as bolsas não tiverem um retrato confiável do quadro político deste início de segundo mandato de FHC, os investidores - gatos escaldados pelas derrotas de dezembro - preferem não arriscar novas posições no mercado brasileiro.
-Segundo a Agência Estado, na noite de ontem, os quatro ministros responsáveis pela articulação política do governo reuniram-se e começaram a discutir a estratégia para a aprovação do projeto que prorroga e aumenta a alíquota da CPMF, um dos principais pontos do programa de ajuste fiscal e que será acompanhado com atenção pelo mercado.
-Na Câmara, os líderes governistas marcaram reunião que deve definir as prioridades para a votação durante a convocação extraordinária. A convocação que começou ontem não deve começar a ter resultados práticos tão cedo. Daí a paralisia dos negócios no mercado e a percepção de que é pequena a chance de reação nos próximos dias.
-Enquanto espera que o cenário interno se clareie, o mercado de ações doméstico não tem outra opção senão copiar o comportamento de Wall Street. Assim, a bolsa abriu em baixa antecipando uma abertura negativa do Dow Jones, que era o que indicava o índice S&P futuro desde cedo. Era uma reação, também, ao desempenho de segunda-feira da bolsa norte-americana, que virou para baixo após o fechamento local.
-Se, a exemplo dos investidores de bolsas - que, por razões de mercado, pararam esperando definição - outros setores também adotarem uma postura de cobrança, o governo e este congresso folgado terão que se mexer. De certa forma, a apatia que ocorre na economia, a cautela nas compras, o adiamento na reposição dos estoques, já denunciam esta postura.
-Mas ela é silenciosa, não se faz entender assim. E os políticos só entendem (e atendem) a linguagem direta. Falta, portanto, exteriorizar, manifestar, este comportamento nacional, que também sugere medo e preocupação. Afinal os indicadores não são nada estimulantes. O planalto, pobre em prospecção e leitura de cenário nacional, deve sentir isto por vias mais diretas. Só assim terá clareza das dimensões do prejuízo econômico que sua ergofobia tem acarretado à Nação.
Milho/alta





