-A assessoria da presidência do Banco do Brasil confirmou ontem para este jornal que o BB está prorrogando o prazo para quem quiser quitar dívidas vencidas. O prazo final para adesão ao chamado ‘‘Proer agrícola’’ era o dia 23 deste mês, mas, dada a baixa adesão, o governo resolveu esperar até que os
agricultores tenham concluído a comercialização da safra.
-Quanto aos tipos de dívidas predominam custeio e AGF/EGF-COV, o empréstimo do governo com opção de venda. E não são muitos os contratos pela própria escassez de recursos. Embora trate-se de um programa de governo, as agências do BB vão analisar caso a caso. Ninguém deve ir correndo ao banco porque a decisão foi tomada ontem e pode ser que as instruções ainda não tenham
chegado.
-Este Programa de Saneamento que vinha sendo discutido há várias semanas. As discussões - no que se refere a pauta agrícola - foram interrompidas porque o CMN tinha que decidir sobre propostas do ministro Francisco Turra. O ministro vinha negociando várias opções para canalizar mais recursos para a produção: aumento da exigibilidade bancária; recursos para criação do hedge para reduzir riscos na venda em mercado futuro; criação de um fundo de R$ 50 milhões administrado pelas bolsas para financiar oscilações e aumento dos recursos captados pelos bancos no exterior via 63 caipira.
-Mas trocou alguns desses itens pela prorrogação ontem anunciada. Seguinte: fica prorrogado para março o prazo para o setor agrícola devedor do Banco do Brasil decidir se adere ao programa de saneamento dos seus débitos. O programa permite ao agricultor quitar a dívida pagando ao BB com títulos do Tesouro comprados a 10,36% do valor real.
-O banco tem cerca de R$ 5 bilhões em créditos passíveis de serem incluídos no programa. Do total o banco espera receber R$ 3 bilhões via programa de saneamento, devendo mandar o restante para cobrança judicial. Na realidade, o BB vai receber em troca das dívidas papéis do Tesouro com prazo de vencimento de 20 anos. Os papéis pagarão juros de 6% a 8% ao ano, mais correção monetário com base no IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado).
-Caso se confirme a previsão do BB de receber R$ 3 bilhões, isso significa que os agricultores pagarão ao Tesouro apenas R$ 310,8 milhões pelos títulos necessários a saldar esse valor com o banco. O BB receberá do Tesouro o rendimento dos papéis e limpará seu balanço dos créditos duvidosos correspondentes. O banco poderá esperar os 20 anos para resgatar os títulos com o Tesouro, ou vendê-los no mercado com o desconto que os investidores aceitarem pagar por eles.
-O diretor-geral do BB, Édson Soares Ferreira, disse ontem à Agência Folha, que o banco vai se associar a empresas privadas para fazer a cobrança de outros cerca de R$ 6 bilhões que tem a receber de diversas outras fontes, inclusive dos usineiros de açúcar e álcool. (Ver mais informações na página 2 deste caderno Economia).


Milho

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