Oswaldo Petrin
-O cenário para a economia do setor primário, bem configurado a esta altura do calendário agrícola, aponta a continuação das dificuldades enfrentadas no segundo semestre deste ano. Isto só reforça a idéia do movimento SOS Agropecuária, lançada em Londrina, recentemente, pelo presidente do Sindicato Rural, Edison Mazei Ponti, na presença (e com o aval) do presidente da Faep, Ágide Meneguette; do secretário da Agricultura do Paraná, Antônio Poloni, e do representante do ministro Francisco Turra, o secretário de Defesa Sanitária, Enio Marques.
-O esforço no novo ano agora é conferir unicidade ao movimento para conseguir pelo menos parte da pauta de reivindicações, como empréstimo-ponte para custeio de safra, ajuste cambial e manutenção de alíquotas de importação. Tudo o que for possível para atenuar o ambiente econômico adverso, conforme agenda do Sindicato Rural.
-A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) também endossa a idéia de que a fase difícil ainda está por acontecer. O próximo ano será duro para os produtores que, em sua maioria, enfrentam: queda de renda, descapitalização, concorrência desleal das importações subsidiadas, barreiras impostas por países importadores, perda de competitividade, alto custo social, etc.
-Encolhido, apesar da boa safra que se projeta (78,7 milhões de t), o setor primário vai empregar menos em 1999. Menos do que em 1996/97, com certeza. Ao final de 97, a agropecuária empregava 16,6 milhões de um total de 68 milhões de pessoas disponíveis no mercado de trabalho. Gerou, no período, 24,5% do total de empregos no País, mais do que os setores de prestação de serviços (22%) e indústria (20%). Na pecuária bovina, a cadeia produtiva gera mais de 7 milhões de empregos diretos, além de criar postos de trabalho no comércio, na indústria de derivados e insumos. Outros exemplos poderiam ser dados: o setor avícola, por exemplo, gera mais de 1,67 milhão de empregos diretos. O leite emprega 2 milhões de pessoas e o setor cafeeiro, 1 milhão de trabalhadores. Ao se mobilizar na defesa dos seus interesses, a agropecuária está embutindo também uma preocupação social, que o governo parece desconhecer.
-A CNA entende que o governo - que poderia ser novo mas é velho - precisa tratar de outro modo a economia do campo, entendendo que a agricultura é geradora de renda e emprego, além de ter importância para a balança comercial. Enquanto o Brasil não entender isso, a agricultura não tem condição de enfrentar os desafios externos da competição, que são cada vez maiores. Palavras da CNA, na mensagem de fim de ano, esta semana.
-A CNA entende que desde a implantação do Plano Real, a produção de alimentos no País aumentou, mas os agricultores recebem cada vez menos pelo que produzem. A situação é insustentável, apontam os estudos da CNA.
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