Oswaldo Petrin
-Não é catastrofismo. Quem se lembra da década perdida dos anos 80? Pois o ano que vem, o ano da virada do século, pode vir a ser o ano perdido. Ou quase pedido. Crescimento econômico com criação de emprego, retomada do consumo e tudo que o País precisa para distribuir rendas, só no segundo semestre. Mesmo assim, isto fica condicionado a uma multiplicidade de variáveis externas e internas. A Carta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Conjuntura Econômica, que deve ser divulgada nos jornais de hoje, só confirma o que analistas econômicos e empresários prognosticaram nos últimos 60 dias: ausência de perspectiva. O documento também traz uma estimativa de crescimento de apenas 0,2% neste ano.
-O parâmetro para aferir se a economia está crescendo e distribuindo riquezas é o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). E segundo o Ipea, o PIB deve baixar entre 1% e 1,5% em 1999, se for confirmada a expectativa de uma recuperação modesta da economia brasileira no segundo semestre, que recupere as perdas anteriores.
-Essa recuperação pode ser o impulso inicial para um longo período de crescimento sustentado, se o governo conseguir implementar um ajuste fiscal de efeitos permanentes, tornar mais flexíveis as regras do mercado de trabalho e realizar as reformas na estrutura econômica do País.
-A trajetória do crescimento em 1999 deverá refletir as expectativas em relação ao ajuste fiscal e o ritmo de redução da taxa de juros, afirmaram os economistas do Ipea, no documento divulgado ontem pela Agência Estado. O setor mais atingido pela queda, de acordo com as previsões do instituto, vai ser a indústria, para a qual está prevista uma queda de 0,8% do PIB neste ano e de 6,6% em 1999.
-O PIB do setor de serviços deve crescer apenas 0,7% em 1998, sofrendo uma redução de 1,6% em 1999. A agricultura deve ser a única atividade com crescimento do PIB constante, de 0,3% este ano e 3,2%, em 1999.
-Na análise da produtividade industrial, o instituto calcula uma queda de 2,3% neste ano, que vai chegar a 3,8% em março e 4,9% em junho. A indústria de transformação deverá ser a mais atingida pela crise, de acordo com as projeções do instituto. O setor deve ter redução de 3,4% da atividade este ano, que vai piorar para uma queda de 5,1% em março, e chegará a 6% em junho de 1999. O setor extrativo mineral da indústria deve ter uma trajetória inversa, com crescimento acumulado de 11,1% da produção neste ano e de 6% no primeiro semestre de 1999.
-Na divisão por categorias de uso, o instituto prevê uma queda de 19,4% na produtividade do setor de bens de capital, de 5,1% no de bens intermediários e de 6,9% no de bens de consumo. A produção de bens de consumo duráveis deve sofrer a maior redução na atividade, de 19% até junho de 1999, enquanto que, nesta época, a produção de bens de consumo não duráveis deve cair 3,6%, segundo o Ipea. Veja mais nas páginas de Economia.
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