-O financiamento que a Nestlé obteve ontem do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os produtores de leite, seus fornecedores, fez muita gente lembrar ontem do antigo PDPL - Programa de Desenvolvimento da Pecuária Leiteira, de muita saudade: tinha juros baixos e generoso prazo de carência. Muitas bacias leiteiras se consolidaram com aquela linha de crédito (do Banco do Brasil). Bons tempos.
-Seguinte: o BNDES liberou fiananciamento de R$ 98,6 milhões para 22 mil pequenos e médios produtores de leite de vários Estados, fornecedores da Nestlé. Os recursos serão repassados ao Bradesco, que fará o empréstimo final.
-A medida agradou o Ministério da Agricultura porque o dinheiro será usado para a instalação de tanques refrigerados nas fazendas para estoque de leite a granel. Um projeto para melhorar a qualidade do leite, mantido na gaveta da Secretaria de Defesa Sanitária Animal há algum tempo, inclui este item (tanques resfriadores) como um ponto fundamental no fator qualidade. Está sendo ressuscitado agora pelo Sebrae.
-O projeto que está sendo financiado pelo BNDES é da própria Nestlé. A Nestlé, aliás, arcará com o pagamento dos juros. Dizem os saudosistas do PDPL que nem aquele programa faria tanto.
-O BNDES não faz milagre: o empréstimo será corrigido pela TJLP, de 18% ao ano, mais 1,5%. Os produtores só pagarão o principal da dívida - valor inicial do empréstimos, sem os custos financeiros - e terão 36 meses para saldar o empréstimo, informou o presidente da Nestlé, Ricardo Gonçalves.
-A empresa compra 4 mil toneladas diárias de leite (metade da produção nacional). A partir de 2001, todos os fornecedores da marca estarão utilizando o sistema de tanques refrigerados.
-Com o novo sistema, saem de cena os tradicionais latões de leite, diante da porteira da fazenda ou na margem das estradas vicinais, esperando para serem coletados pelos caminhões dos laticínios. Da ordenha mecânica, o produto seguirá direto para os tanques refrigerados, sem entrar em contato com o ar.
-De dois em dois dias, caminhões tanques, também refrigerados, recolherão o leite nas fazendas, com o uso de uso de bombas. Ricardo Gonçalves disse que os produtores terão um ganho de produção de até 25%, pois poderão fazer uma segunda ordenha diária, à tardinha, e estocar o leite nos tanques de resfriamento.
-O BNDES está ampliando linhas de financiamento nesta direção, para programas de melhoria na produção e captação do leite, semelhantes aos da Nestlé. E o Ministério da Agricultura oferece assessoria técnica. Para cooperativas as taxas poderão ser negociadas. É uma boa oportunidade para quem quiser melhorar a qualidade do leite da porteira para dentro.


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