Oswaldo Petrin
-O Brasil dá um passo importante para redução dos custos de produção da soja, seu principal produto de exportação. É que a soja geneticamente modificada pela Monsanto já foi aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e agora deverá ser encaminhada ao Ministério da Agricultura para registro e teste de campo em escala. O anúncio foi feito ontem, em Porto Algre, pelo presidente da CTNBio, Luiz Antônio Barreto de Castro. Departamentos técnicos das cooperativas receberam bem a notícia. A soja transgênica é fator de redução de custo já comprovado nos Estados Unidos e Argentina. Polêmica ecológica à parte, a variável custo é que vai determinar o sucesso dos produtos num mercado globalizado e altamente concorrido, com margens de lucros comprimidas. O Brasil está atrasado nessa tecnologia, mas, antes tarde do que nunca, como diz o produtor.
-A CTNBio informou também que sementes de soja e milho transgênico podem estar disponíveis para o plantio da safra 1999-2000. A instituição está analisando um pedido de liberação comercial de sementes de milho resistente ao herbicida glufosinato encaminhado pela Agrevo.
-Durante palestra no seminário Biotecnologia - Humanidade e Civilização, promovido ontem pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Castro destacou o atraso brasileiro no cultivo de plantas transgênicas em relação aos Estados Unidos, Argentina e Canadá.
-Os norte-americanos plantam 20,5 milhões de ha com esses produtos, sendo 10 milhões com soja. Os argentinos chegam a 4,3 milhões e os canadenses a 2,8 milhões. O Brasil, oficialmente, não cultiva produtos transgênicos. Estima-se, entretanto, que entre 100 e 200 mil ha estejam plantados com soja transgênica no Rio Grande do Sul, com sementes contrabandeadas da Argentina no ano passado.
-O presidente da CTNBio, Luiz Antônio Barreto de Castro, em entrevista ao repórter Sérgio Bueno, da Agência Estado, acredita que o País está perdendo competitividade em relação aos seus concorrentes, que conseguem custos de produção menores com a redução de insumos necessários ao plantio. Segundo Castro, a instituição ainda não tem uma posição fechada em relação às dicussões sobre rotulagem dos produtos derivados de plantas geneticamente modificadas.
-A tendência, no entanto, é pela defesa de uma informação completa aos consumidores, inclusive que os alimentos foram avaliados e aprovados por instituições como a própria comissão e o Ministério da Agricultura. Se for colocado um rótulo apenas com a informação de que se trata de um produto geneticamente modificado, os consumidores vão desconfiar porque têm pouca informação a respeito, afirmou.
Trigo EUA





