Oswaldo Petrin
-O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti, discursando, dias atrás, na cerimônia de instalação do Seminário Estadual de Qualidade na Agricultura, propôs o lançamento de uma campanha de mobilização nacional, a SOS Agropecuária. Ele apontou alguns motivos que justificam uma mobilização da classe produtora (neste momento ou no início do próximo ano) em defesa de mudanças urgentes no tratamento que o governo dispensa ao setor.
-O movimento visa defender melhorias do cenário econômico-financeiro através de três medidas 1) Fixar alíquotas de Importação de 20% em 1999, 15%, no ano 2000 e 10% em 2001, 2) Determinar que as importações brasileiras de produtos agropecuários devam ser pagas à vista, 3) Aprovar um custeio adicional com 15 anos de prazo, dentro das normas do manual de crédito rural (MCR).
-Razões, portanto, é o que não faltam para justificar o movimento. O próprio dirigente sindical apresentou uma série de dados sobre o estrago causado pelo Plano Real ao setor primário. No período houve uma transferência de R$ 10 bilhões do setor agrícola para os demais setores da economia.
-Por conta da teimosia da política cambial, o Brasil perde, quando importa: US$ 3,00 por saca de soja, US$ 30,00 por saca de café e US$ 5 por arroba de carne.
-Mas, esta semana saiu mais uma informação por sí só suficiente para impulsionar esta campanha denominada SOS Agropecuária, que nasce em Londrina e que deve ganhar corpo em todo o Paraná. É que o Brasil deverá importar este ano (de março de 98 a fevereiro de 99) o maior volume de grãos de toda a sua história. O País deverá comprar, nesse período, nada menos que 10,1 milhões de toneladas de grãos, contra 7,62 milhões na safra passada, de março de 97 a fevereiro de 98. O gasto adicional estimado com o aumento das importações é de US$ 613 milhões. O Brasil deverá comprar 2, milhões de t de arroz, 6,1 milhões de t de trigo, 1,5 milhão de t de milho, 350 mil t de algodão em pluma e 200 mil t de feijão.
-O crescimento das importações de alimentos é causado por dois fatores: aumento insuficiente da safra, gerado por falta de uma política para o setor, e subsídios concedidos a produtos estrangeiros, principalmente por governos de países europeus.
-Opinião da Confederação Nacional da Agricultura CNA a respeito: o governo que poderia ser novo, mas é velho, precisa tratar de outro modo o campo brasileiro, etendendo que agricultura é geradora de renda, riqueza e emprego, além de ter importância fundamental para a balança comercial do País.
-Para não citar o caso do trigo, cuja necessidade não se discute, fiquemos só no caso do algodão. Com a entrada no País do produto subsidiado por governos estrangeiros, o Brasil passou de segundo maior exportador mundial para segundo maior importador. Com isso, 300 mil pessoas perderam o emprego no País.
Milho/alta





