Oswaldo Petrin
-A redução do subsídio ao álcool combustível - divulgada ontem nesta coluna com base em informações do governo, da Associação dos Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo e da Agência Estado -, pode não interessar aos agentes econômicos envolvido na cadeia produtiva do álcool, incluindo o elo final que é o consumidor. Mas, para a Petrobrás será ótimo.
-Ontem, ao confirmar a medida na próxima sexta-feira, o governo informou que pretende arrecadar R$ 720 milhões por ano com a redução do subsídio ao álcool combustível, o álcool hidratado. O corte deverá ser anunciando nesta sexta-feira. Será assinada portaria pelo ministro Pedro Malan, da Fazenda.
-Do total dessa economia, cerca de R$ 580 milhões serão somados ao aumento de receitas previstos pelo Programa de Estabilidade Fiscal do governo e serão destinados ao pagamento da Conta Petróleo. Somente R$ 140 milhões devem ser usados até março para a compra de 400 milhões de litros de álcool estocados no mercado. Na terça-feira passada, o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Bolivar Moura Rocha, anunciou que a redução em 72,44% do subsídio do álcool seria uma forma de arrecadar recursos para a compra de parte do estoque.
-Este álcool será comprado e estocado pela Petrobrás. Depois ela irá vende-lo, disse ontem Moura Rocha, ao repórter Gustavo Paul, da AE. Nao estamos falando de uma despesa que não volta, pois o produto será revendido quando tivermos mais equilíbrio no mercado, afirmou. A economia mensal prevista pelo Ministério da Fazenda, com o fim do subsídio será de cerca de R$ 60 milhões.
-Os R$ 580 milhões anuais que o governo pretende economizar serão incorporados ao superavit da Conta Petróleo. No final de novembro, o governo já havia anunciado o aumento de 10% do preço da gasolina nas refinarias o a redução de subsídios ao transporte de combustível para chegar a um superavit mensal de R$ 412 milhões na Conta Petróleo.
-Este superavit será usado para quitar o débito de R$ 5,8 bilhões (valores de julho), que a União possui em relação a Petrobrás, referente a Conta Petroleo. Com estes recursos, o governo quer garantir também a meta de superavit anual de R$ 4,95 bilhões no setor de combustíveis e derivados ate 2001, prometido ao Congresso e ao FMI. Segundo Moura Rocha, nas últimas semanas, já foi ultrapassado o superavit no setor previsto inicialmente pela equipe econômica. O saldo (da Conta Petróleo) melhorou em razão da queda continuada dos preços do petroleo no mercado externo, admitiu Moura Rocha. Além disso, a arrecadação de R$ 50 milhões prevista inicialmente com a redução do subsídio ao álcool e outras medidas referentes ao óleo combustível e a nafta já foi ultrapassada.
Milho/alta





