-Acabou sobrando para a agricultura. O cumprimento da exigibilidade bancária fica mais difícil após acerto com FMI, que prevê redução do compulsório para bancos. Seguinte: a exigibilidade - que é o cumprimento da norma do Banco Central obrigando a transferência para financiamentos agrícolas de parte (25%) dos depósitos à vista - praticamente fica descaracterizada, nos termos que está se configurando o acordo.
-É que o acordo inclui uma brecha para a redução do compulsório sobre depósitos à vista que, se colocada em prática, poderá fazer cair os juros cobrados pelos bancos em empréstimos finais. Hoje, os bancos são obrigados a deixar retidos no Banco Central 75% dos recursos que seus clientes depositam em conta corrente. Essa regra visa evitar que os bancos concedam muitos empréstimos. Com isso, o governo contém o consumo e impede o crescimento indesejado da economia. Como são obrigados a deixar 75% do dinheiro retido no BC, os bancos ficam com apenas 25% para conceder empréstimos.
-Só que a regra determina que essa parcela de 25% seja destinada a financiamentos à agricultura. Na prática isto nunca aconteceu, com exceção, se não me engano, na safra 1996/97. Mas sempre foi um ponto reivindicado pela produação. Agora o setor perde de vez.
-Se a alíquota do compulsório cair, sobrarão mais recursos para os bancos emprestarem. Mas essa hipotética queda do compulsório - segundo a Agência Folha - Alex Ribeiro -, ontem só funcionará se não for acompanhada da ampliação do percentual a ser aplicado na agricultura. A equipe econômica já tem planos antigos de afrouxar o compulsório, mas até agora não implementou a medida por receio de seu impacto no crescimento da economia.
-Para o governo, a redução do compulsório seria a forma de diminuir o
grande intervalo que há entre os juros básicos definidos pelo BC, hoje em 33% anuais, e as taxas finais (para os consumidores, superam os 300%
anuais).
-A equipe econômica reforçou sua intenção de reduzir o compulsório, ao
negociar com o FMI um mecanismo que suaviza as chamadas metas monetárias. As metas monetárias do acordo impõem limites ao volume de dinheiro em
circulação na economia. Na prática, forçam a alta dos juros, em caso de
perda de reservas em moeda estrangeira do BC, e impedem sua queda rápida, se as reservas não subirem o suficiente.
-Por esta e por outras - tantas outras - o setor primário da economia costuma dizer que o ministro Malan ‘‘é uma espécie de rei Midas ao contrário’’: em tudo que mexe transforma dinheiro em recessão. Pelo menos quando toca na economia desse setor. Pensando bem sobre o papel da agricultura neste governo, o autor da comparação paradoxal tem um pouco de razão.


MIlho/alta

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