Oswaldo Petrin
-Pelo jeito, o aumento de consumo neste final de ano vai ficar apenas na carne suína e aves especiais - conforme dados da indústria, divulgados esta semana por este jornal. É que, ao contrário dos anos anteriores, a demanda pelos bens de consumo duráveis não decola e já estamos quase na metade de dezembro. Dias atrás, uma previsão das indústrias de eletrodomésticos, apontou estabilidade (estagnação) inclusive na linha branca que tem mais utilidade. Consumidor está recuado. Do jeito que Malan está conduzindo a economia do País, o povo não vai comprar nem roupa branca para a virada do ano, comentava-se ontem no Sindicato do Comércio Varejista.
-Mas a notícia desalentadora é mais do que uma simples conjectura; vem em forma de pesquisa: A queda do nível de renda e a expectativa de um ano difícil farão com que o consumidor compre menos neste final de ano, segundo a 14ª rodada da pesquisa CNI/Ibope referente a novembro, divulgada ontem pela Agência Estado (Gecy Belmonte). Dos 2.000 entrevistados em todo o País, somente 9% pretendem comprar mais que no ano passado neste Natal.
-Já o percentual dos que tencionam comprar menos, subiu de 26% em setembro para 37% em novembro. Também foi reduzida a parcela daqueles que afirmaram manter inalterado seu nível de compras, de 55% para 52%, nesse mesmo período, enquanto o índice daqueles que não pretendem comprar nada alcançou 24%, o mais elevado desde 1996. Este é um sinal claro do impacto da crise sobre o poder de compra das pessoas, observou o coordenador da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria, José Guilherme Reis.
-Durante a divulgação da pesquisa pelo presidente da CNI, Fernando Bezerra, o coordenador da Unidade de Política Econômica ressaltou que, além de comprar menos, o consumidor adquirirá produtos de menor valor unitário. A maior incidência de compras recairá sobre sapatos e brinquedos, indicados por 47% e 25% dos entrevistados, respectivamente contra 53% e 28% em setembro passado.
-A área mais prejudicada, como já vinha sendo anunciado pela indústria, é a de eletrodomésticos, indicada por somente 4% dos entrevistados, contra 11% em setembro. Este também é o menor percentual registrado desde 1996 e o primeiro de um dígito. A expectativa negativa do consumidor no final deste trimestre também aparece no Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), que registrou uma queda de 1,7% em novembro com relação a setembro e que também foi divulgado nesta quinta-feira pela CNI. Reis disse que a queda foi provocada pela crise dos últimos meses, que impediu a retomada de confiança dos consumidores.
-Conforme os dados do Ibope, as razões dos entrevistados para reduzir as compras foram: renda menor (43%), expectativa de ano difícil (25%); encarecimento dos produtos (20%); e o aumento dos juros no crediário (7%).
Milho/alta





