Em discurso contra a política de juros altos do Banco Central, pronunciado ontem no Senado, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), sugeriu que o Conselho Monetário Nacional (CMN) aplique um redutor sobre a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), a exemplo do que faz com a Taxa Referencial de Juros (TR), que remunera a caderneta de poupança.
Sobre esse redutor os próprios técnicos do Ministério da Fazenda explicaram dias atrás, que ele não provocaria nenhum prejuízo às fontes dos recursos que são usados nos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), remunerados pela TJLP. Mas o governo estaria caracterizando uma predisposição de retorno ao que eles chamam de ‘‘fatores indexados’’, um ‘‘corpo estranho’’ no atual tratamento monetário.
Mas o presidente da CNI tem outros argumentos: ele acha que esta fonte é a única para investimentos de longo prazo no Brasil e foi criada para evitar as oscilações de curto prazo. ‘‘A recente alta da TJLP, de 11,68% para 18,06%, mostra que o mecanismo não foi suficiente para evitar o contágio’’, sustentou.
Na hipótese do CMN adotar o redutor como instrumento de adequação da taxa, como sugere o presidente da CNI, o Banco Central estaria ‘‘descontaminando os passivos dos aumentos transitórios das taxas de juros’’. Em seu discurso, o senador disse também que ‘‘as autoridades estão tomadas por uma possessiva síndrome monetarista, em que a pretensa proteção à moeda se transformou no cerne das preocupações e ações’’.
Com isto, teria sido criada uma ‘‘nova versão da ciranda financeira’’. Bezerra citou que a declaração do presidente do Banco Central, Gustavo Franco, sobre o aumento dos investimentos estrangeiros em consequência do barateamento das empresas brasileiras ‘‘é uma prova eloquente da insensibilidade que grassa hoje em algumas áreas que exercem papel estratégico na condução da vida do País’’.
Discurso à parte, o argumento do presidente da CNI tem respaldo de técnicos dos órgãos. A conclusão (política) que se tira desta informação transmitida ontem pela Agência Estado é que os técnicos do BC vão sendo cercados e questionados. Pensamento monetrista não resiste uma análise mais profunda.
O senador alertou ainda que a redução das taxas de juros é uma condição para o próprio sucesso do programa de estabilização e disse que as autoridades econômicas não estão respondendo com a necessária velocidade à aprovação das medidas do ajuste no Congresso. Na medida em que o quadro se agrava, os questionamentos aumentam, alertou o senador, referindo-se à insatisfação que esta situação pode gerar entre os parlamentares. Bezerra comentou que se houvesse uma política de crescimento, com ou sem Ministério da Produção, a situação seria diferente, pois haveria alguém pensando na consequência das medidas econômicas sobre as empresas.


Leitores
Do empresário Haroldo L. Manfrin, de Maringá, sobre comentário recente abordando questão cambial: ‘‘Sua colocação: Agricultura não acaba, mas governo vai acabar é com agricultor -, foi ótima. Basta entender significado disto.
Milho/alta
O indicador de preço de milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 8,78/saca (+0,34%). Em dólar, ficou em US$ 7,30 (+0,41%). Valor a prazo: R$ 9,00/saca. Veja também preços ao produtor em todas as regiões do Paraná.
Soja/Paraná
O preços da Soja, no atacado, calculado pela Esalq/BM&F ficou ontem em R$ 14,69/saca (-0,47%). Em dólar, US$ 12,20 (-1,28%). Cálculo tem como base os preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Paraná.
Boi SP
O preço à vista do boi gordo, SP, ficou em R$ 28,05/arroba (-0,25%). Em dólar, fechou em US$ 23,31 (-0,26%). A prazo, o preço ficou em R$ 28,83 (-0,24%). Cálculos são da Esalq/USP.
Indicador
O valor à vista do indicador de preços do café Esalq/BM&F teve alta de 0,71% (R$ 139,03/saca). Em dólar, subiu 0,65% e ficou em US$ 115,53. A prazo, a cotação ficou em R$ 140,43/saca. Veja preço de cafés inferiores nesta página.




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