Oswaldo Petrin
-Frigoríficos são um negócio de risco. Não para os seus próprios donos, mas para os fornecedores. Nas regiões Oeste de São Paulo e Sul de Mato Grosso do Sul, os prejuízos que os pecuaristas já sofreram, causados por frigoríficos inadimplentes, que não pagam, equivalem a alguns milhares de bois. Hoje eles têm pouca opção para vender no interior do Estado de São Paulo, Sul Mato Grosso e até no Médio Paranapanema, diz a notícia da Agência Estado, manchete de uma das páginas de Agribusiness deste jornal, esta semana.
-Quem recorre à Justiça, descobre que a empresa está no nome de alguém que não tem patrimônio para lastrear coisa alguma. Alguns desses frigoríficos são arapucas, portanto. Eles começam pagando à vista e um pouco acima do que o mercado oferece; depois de um certo tempo, pedem prazo de 30 dias. É aí que mora o perigo. É difícil encontrar um pecuarista que não tenha perdido dinheiro ao negociar com esses abatedouros. Na rota de risco os pecuaristas incluem ainda as regiões de Araçatuba e São José do Rio Preto. Sem generalizar, naturalmente.
-O diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Carnes, Péricles Salazar, tem uma resposta curta e objetiva para quem corre risco de negociar mal a venda de gado: Eles que vendam para frigoríficos idôneos, com credibilidade, organizados e regulares, com inspeção federal. Portanto, existem estabelecimentos confiáveis, organizados e dotados de tudo aquilo que as regras do bom comércio recomendam. É uma questão de escolha.
-O que ocorre é que o pecuarista - como alguém que aposta no mercado acionário - também é movido, às vezes, pelo fascínio do negócio de risco. Essa compulsão ao risco, de repente, é inerente ao negócio. Ou seja, as pessoas preferem negociar com quem acena com preços mais altos, preterindo fatores como garantia, confiabilidade, etc. Entender isto é mais do que democrático, é admitir a complexidade e diversidade inerentes à mente humana.
-Tanto assim que mesmo neste recentíssimo pós-crash das bolsas internacionais há quem compre ações nos seus raros momentos de alta (possivelmente para ser compelido a vendê-las no pior momento de baixa). Parece um bom exemplo de opção preferencial por viver perigosamente.
-Outro exemplo poderia incluir ainda alguém que se deslumbre com altas taxas de captação oferecidas por bancos à beira do abismo. Nesta linha de raciocínio é intrinseco admitir que alguém prefira alguns centavos a mais pela arroba do boi a vendê-lo por um preço conservador oferecido por uma indústria, digamos, de tradição.
-Enfim, cada um faz o que quer de sua mercadoria ou dinheiro, mas a ação de compradores - que dão o cano no fornecedor (e no fisco) sejam frigoríficos ou outro tipo de negócio - também é problema da Receita Federal e das Fazendas estaduais: elas têm que fazer valer a verdadeira justiça fiscal.
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