Oswaldo Petrin
-Deflação, no País do subconsumo, subemprego e super taxas de juros, não é mérito para ninguém. É indicador de enfraquecimento de programa econômico, sustentado pelo recurso do arrocho da política monetária. Pois estamos aí com mais um mês de deflação, em plena época de consumo, perdo da virada do ano.
-O mês de novembro voltou a registrar deflação na cidade de São Paulo. A queda média nos preços ficou em 0,44% segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP). Vale observar sempre que os dados de São Paulo podem ser extrapolados para todo o País, principalmente no caso dos itens pesquisados para compor as análises da Fipe.
-Pela Fipe, novembro foi o sexto mês do ano de 1998 com deflação, fato inédito desde que a Fipe começou a acompanhar a variação da inflação há 58 anos. Em outros dois anos (1947 e 1948), o instituto registrou cinco meses com deflação de preços. Em 1998, registraram deflação os meses de fevereiro, março, julho, agosto e setembro, além de novembro.
-O coordenador do IPC, Heron do Carmo, em entrevista à Agência Estado, estima que o ano de 1998 vai encerrar com deflação de 1,5%. Até novembro, o IPC acumula uma variação negativa de 1,67%. Para dezembro, o índice deve registrar uma pequena alta dos preços, entre 0,10% e 0,20%, reduzindo, então, parte desta queda acumulada de janeiro a novembro. A inflação de dezembro, explica Carmo, será provocada pela alta da gasolina e do gás de cozinha. Antes eu esperava um índice zero, explica.
-Projetando uma alta média - para os consumidores - de 7% na gasolina e de 10% no gás de cozinha, Carmo explica que o impacto destes reajustes sobre o custo de vida total é de 0,27%, considerando trinta dias. A maior contribuição virá da gasolina: 0,21%. A parcela do gás é de 0,06%. Como os reajustes começam a vigorar a partir desta sexta-feira, apenas parte do impacto (aproximadamente 0,20%) será sentido em dezembro.
-A deflação em novembro surpreendeu o coordenador do IPC. É um movimento fora do padrão, diz ele. Novembro é entressafra de alimentos e início da venda de coleção verão do vestuário. A queda da demanda impede que as empresas repassem aumento de preços para os produtos, explica Carmo. Na décadade 80, as empresas compensavam redução no volume de vendas com aumento de preços e agora isso não é mais possível, pondera.
-Em novembro, apenas o item saúde (entre os sete pesquisados pela Fipe), apresentou variação positiva de preços em novembro. A alta foi de 0,26%. Os demais encerraram o mês em queda. Alimentação ficou em menos 0,52%; habitação com queda de 0,35% e transportes teve a maior queda, com 0,86%. Além destes, também os ítens educação (-0,05%), vestuário (-0,49%) e despesas pessoais (- 0,32%).
Milho/alta





