Oswaldo Petrin
-As relações entre fornecedor e indústria dentro da cadeia carne na bacia interestadual, compreendida palas regiões Oeste de São Paulo, Sul de Mato Grosso (do Sul) e Médio Paranapenama, são consideradas relações de risco - para quem vende, naturalmente. É alto o número de perdas porque de um dia para outro os donos dos abatedouros desaparecem. Ficam as instalações, que em geral não têm liquidez. A quebradeira de pequenos frigoríficos tem várias explicações.
-Crises existem em todo o País, não se restringindo, portanto, àquela vasta região geográfica, polarizada por Presidente Prudente e Dourados.
-No entanto, o cenário global da produção pecuária brasileira, ignora essas crises localicadas e aponta dados bem otimistas, como os divulgados ontem pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA). O valor da produção pecuária cresceu 2,5% de janeiro a setembro deste ano.
-Seguinte: a redução do número de abates de bovinos na Argentina e o aumento dos preços da carne bovina na Argentina e no Uruguai permitiram que o Brasil ocupasse os espaços perdidos no mercado internacional para seu principal parceiro do Mercosul.
-Este desempenho já transparece nas estatísticas do ano: o valor da produção pecuária brasileira teve seu valor elevado para R$ 10,3 bilhões do Valor Bruto da Produção (VBC) agropecuária, que é o somatório de toda a produção dos 25 principais produtos do setor. O VBP total da agropecuária cresceu de R$ 58,8 bilhões nos primeiros nove meses de 1997 para R$ 60,3 bilhões no mesmo período deste ano.
-Os frigoríficos reclamam, mas há um cenário promisssor para a carne bovina no próximo ano: os preços estão ligeiramente recuprados e a produção aumentou de 5,8 milhões para 6 milhões de toneladas (equivalente carcaça). Além disso, há possibilidades de declaração de novas zonas livres de aftosa, principalmente no circuito Centro-Oeste.
-Este quadro favorável é exclusivo da carne bovina. Por sua vez, a avicultura, a suinocultura e a pecuária de leite apresentam os piores resultados do Valor Bruto de Produção (VBC). Com a perda dos mercados da Rússia e da Ásia, a renda da avicultura cresceu apenas 1,3%, de janeiro a setembro em comparação a igual período do ano passado, passsando seu valor global de R$ 3,9 bi para R$ 4 bi.
-A suinocultura, mesmo com maior produção, apresenta queda do VBC de R$ 1,7 bi para R$ 1,5 bi, em virtude da queda dos preços. Também a produção de leite registrou queda no seu valor, de R$ 5,5 bilhões para R$ 5,1 bi, no período de comparação, o que equivale a uma queda de 6,9%. A causa principal foram as importações.
Milho/alta





