-Enfrentando indisfarçavel crise de liquidez, o comércio varejista vai virar o ano com pelo menos duas grandes preocupações: a) A tradicional recessão do primeiro trimestre será pior em 99, refletindo a recessão global na economia e a retração normal do setor, b) A frustração parcial da safra de verão - já caracterizada pela ausência de chuva - será motivo mais do que suficiente para alta generalizada das proteínas vegetal e animal. Até aí nada de inusitado: o problema é que o varejo acha que não terá como repassar ao consumidor num cenário de pouca demanda e muita concorrência. Uma terceira preocupação - macroeconômica - e, que, portanto, não é exclusiva do varejo, seria a queda de ritmo de redução das taxas de juros.
-Faltou efetividade no controle dos juros e na redução da dívida pública. Os agentes econômicos em geral não poderiam supor que o governo fosse desistir tão cedo da redução da dívida pública. As promeças do ministro Malan não passaram de ‘‘fogo de palha’’.
-A análise não parte apenas de empresários. Também os economistas acusam o governo de ter adotado, nesta útima semana, uma postura conservadora com relação aos gastos publicos. Para os técnicos, o governo assumiu apenas medidas tímidas, ainda assim sem conferir consistência e continuidade para estancar a sangria da gastança desvairada.
-O recuo no consumo está claro. O aumento da tributação, como parte do Programa de Estabilização Fiscal, vai reduzir a renda das famílias no primeiro trimestre o que, ao lado do desemprego, deverá causar retração no consumo. A queda na atividade econômica, que já vinha sendo observada, está se agravando neste final de 98, em decorrência dos juros altos e das medidas do programa de ajuste fiscal. Ambos, segundo os economistas, têm alto potencial recessivo. Esta, aliás, é a leitura da Confederação Nacional da Indúsiria (CNI).
-A CNI vai além: ela acha que são poucos os fatores que poderão vir a contrabalançar o quadro negativo esperado para o primeiro trimestre de 99. Um deles seria a melhoria no quadro econômico geral, graças à aprovação das medidas de ajuste e a concretização do acordo com o FMI. Isto favoreceria uma demanda de fim de ano que não será tão ruim quanto as expectativas. No entanto, também a repercussão do acordo com o FMI parece ter sido subestimada.
-Por essas razões, cresce em vários setores da economia a idéia de que uma ‘‘desvalorização terapêutica do real’’ pudesse exigenar um pouco o fluxo de dinheiro. A hipótese - cogitada dias atrás no Fórum Nacional do Instituto de Altos Estudos - foi rechaçada pelos diretores do Banco Central que não querem correr o risco de uma virtual ‘‘abertura das comportas’’ motivada, no caso, pelo afrouxamento dos juros. Heterodoxia às favas, o BC fala em redução apenas gradual. Mas o comércio e a indústria estão achando que os indicadores estão estancados demais.


Milho/alta

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