-Quarta-feira, o Departamento de economia rural (Deral) projetou a nova safra do Paraná, com expansão de 2% apesar de todas as adversidades (climáticas e governamentais). Ontem, foi a vez do IBGE apresentar a projeção para a safra nacional, que apresenta queda de um pouco mais de 3%. Nos dois casos, problemas da política agrícola não transparecem plenamente no ânimo do produtor, ou na sua disposição de plantar. Emboara, convenhamos que uma redução de 3% represente, em termos nominais, muitas toneladas de alimentos; alguns milhões a menos na arrecadação do ICMS e outros tributos, e muitos milhões de dólares em divisas. No entanto, pelo tratamento que recebe, bem que a resposta da agricultura até que poderia ser mais contundente.
-A safra de cereais, legumes e oleaginosas deste ano deve ter queda de 3,06%, em comparação com o ano passado, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de outubro, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção deve alcançar 75.142 milhões de toneladas, contra o resultado de 77.517 milhões de toneladas de 1997.
-A previsão anterior, de setembro, apontava redução de 1,79%. O diretor de Pesquisas do Departamento de Agropecuária, Carlos Alberto Lauria, atribuiu a piora da previsão às quebras de safra de milho de primeira safra (-3,82%) e trigo (-8,47%), cuja cultura foi prejudicada pelas fortes chuvas no mês passado, no Paraná e Rio Grande do Sul. No caso do milho, os índices pioraram porque foram feitos ajustes dos dados levantados pelos entrevistadores do IBGE responsáveis pelo levantamento.
-A safra 98/99: O LPSA de outubro trouxe as primeiras informações sobre as intenções de plantio para o ano que vem. O primeiro levantamento do IBGE mostra redução de 0,94% da área plantada (de 27,3 milhões de hectares para 27,1 milhões de hectares). Lauria chamou atenção para o fato de que, enquanto espera-se redução do plantio de produtos exportáveis, como soja e algodão, está previsto aumento de produção de produtos de consumo interno, como arroz, feijão, milho e mandioca. (Gustavo Alves, AE).
-Resta observar, a partir de todos os números apresentados nas previsões desta semana, que a principal commodity agrícola de exportação, a soja, deverá fechar o ano com aumento de 18,36% na produção, em relação ao ano anterior. Já a produção de trigo caiu 8,47% apenas em outubro, em consequência das fortes chuvas ocorridas na região Sul no mês passado.
-A expectativa do IBGE é que a safra de trigo deste ano seja 6,54% menor que a de 97. Para o próximo ano, o IBGE prevê uma diminuição de 0,94% na área plantada devido à queda dos preços internacionais. As maiores reduções deverão ser no plantio do algodão (26,43%) e da soja (3,3%).

Soja Paraná

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