Oswaldo Petrin
-Ao contrário do setor industrial que prevê redução nos investimentos, porém mantém metas de crescimento para o ano que vem, os supermercados se mostram pessimistas. As projeções para o próximo ano são muito conservadoras por causa do impacto do ajuste fiscal do governo no poder aquisitivo da população. O setor diz que ficará muito satisfeitos se conseguirmos manter o faturamento deste ano. Este pensamento do setor está expresso na entrevista que o empresário José Humberto Pires de Araújo, deu ontem às agências de notícias. Pires é o novo presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados).
-Outro representante do setor varejista, o empresário Abram Szajman, acha que a recessão, desta vez, não ficará apenas no primeiro trimestre, período tradicionalmente de poucos negócios. Szajman, que foi reeleito ontem para a presidência da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, acha que alguns segmentos do varejo terão de rever sua estratégia de marketing e partir em busca de parcerias. Szajman representa 138 sindicatos da área. Ele também acha que o setor vai ter que trabalhar em cima de diagnósticos da realidade dos consumidores.
-O presidente da Abras, por sua vez, acha que a economia pode melhorar no segundo semestre. Ele apresentou os dados do desempenho do setor este ano: o faturamento do setor de supermercados vai alcançar R$ 55 bilhões este ano,
representando crescimento de 5% em comparação com 1997. Araújo informou que os investimentos das empresas supermercadistas em desenvolvimento tecnológico e informática atingirão R$ 600 milhões neste ano, o dobro da média de R$ 300 milhões registrada nos três anos anteriores.
-Araújo disse que o crescimento dos supermercados neste ano representa uma recuperação significativa do setor porque as vendas tinham registrado
pequena queda (de 0,27%) na comparação entre 1997 e 1996.
-O novo presidente da Abras, que é sócio dos Supermercados Planaltão, de
Brasília, anunciou as metas de seu mandato, que fazem parte do Plano Estratégico Plurianual de Gestão da entidade supermercadista. Os destaques do plano são a busca crescente de capacitação profissional para reduzir o descompasso entre o rápido avanço tecnológico e o nível de qualificação da mão-de-obra do setor, a criação da Escola Nacional de Supermercados, a realização do 1.o Censo Nacional dos Supermercados e a fundação do Instituto Histórico e Cultural dos Supermercados no Brasil.
-O setor de serviços é o único que não se queixa. Ou pelo menos não anuncia revisão de metas. É uma de uma diversidade enorme e de natureza heterogênea. Mas é também o setor que ainda tem gordura para queimar. O setor de serviços está com preços acima da realidade dos novos padrões da economia desde a conversão da moeda, quatro anos atrás. Entidades do comércio não têm dados mas acham que o setor de serviços também é o que apresenta menor índice de desemprego.
Milho/preço





