Sondagem da Associação das Indústrias de Alimentos (Abia) está indicando que a maioria das indústrias do setor alimentício está trabalhando com expectativa de redução do consumo no primeiro semestre do ano que vem. O impacto da turbulência não é esperado para este final de ano. A recessão ficaria ‘‘adiada’’ para janeiro. O primeiro trimestre, tradicionalmente recessivo, será penoso para os setores de vendas e lançamento de produtos.
Mas a recessão em 99 não parece dimensionar o que se ouve nos discursos dos políticos, nas entrevistas de executivos ou nos (quase sempre delirantes) prognósticos de economistas. A unanimidade das empresas aponta: a) racionalidade nos gastos, b) corte nos investimentos de expansão e ampliação nos investimentos de qualidade, d) em último caso, enxugamento dos quadros. Esta é a adequação.
Os dados da Nestlé cairam nas redações dos jornais ontem como um bom indicador para 99. A empresa aposta numa expansão menor, mas aposta. E praticamente mantém as previsões de faturamento. E até a verda de publicidade será mantida.
A Nestlé Industrial Comercial Ltda. projeta fechar o ano com faturamento de US$ 3 bilhões e lucratividade líquida de 6,3% até o final de dezembro. O volume da produção da empresa deve atingir 972 mil toneladas. Os investimentos produtivos (ampliação e readequação) somarão cerca de US$ 130 milhões. Segundo o diretor-presidente da Nestlé, Ricardo Gonçalves, os resultados alcançados em 98 foram positivos, principalmente se considerados o agravamento da crise financeira internacional, com reflexos nas importações, a queda da atividade econômica, o aumento dos juros, da inadimplência e redução do crédito.
Apesar deste cenário, manteremos em 98 o faturamento em patamares
semelhantes aos alcançados em 97. Até o final de outubro, a Nestlé
lançou mais de 60 produtos. O diretor-presidente da Nestlé afirmou que a companhia deve investir entre US$ 130 milhões e US$ 150 milhões no próximo ano. Os valores são os mesmos investidos neste ano. Segundo ele, apesar da expectativa de recessão no próximo ano, a Nestlé vai manter fluxo de investimentos, buscando aumentar e inovar sua linha de produção. ‘‘Seremos mais criteriosos nos investimentos e só vamos colocar recursos nas atividades que justifiquem retorno’’. Para o próximo ano, está mantida a verba de
publicidade no valor de US$ 100 milhões.
Ricardo Gonçalves afirmou que a expectativa é de que o faturamento da
empresa registre um crescimento de 2% no próximo ano. No ano passado, a
projeção era de que o faturamento da companhia crescesse entre 5% e 6%
neste ano. A redução na projeção se deveu às consequências da crise russa. De acordo com Gonçalves, de 97 para 98, a Nestlé manteve a participação no mercado. No próximo ano, a expectativa é de que a empresa aumente sua
participação. Ainda segundo o diretor-presidente, a movimentação de
tonelagem física foi maior neste ano do que no ano passado.


Milho/alta
-O indicador de preço de milho no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 8,68/saca (+0,12%). Em dólar: US$ 7,24/saca, estável. O valor a prazo ficou em R$ 8,74/saca (+0,23%).
Milho/alta 2
-A alta de ontem foi a terceira consecutiva na semana, no atacado. Previsão dos cerealistas e cooperatias é de novas altas, face aos efeitos da seca na nova safra (Veja nesta página, preços ao produtor).
Soja/Paraná
-O Indicador de Preços da Soja Esalq/BM&F ficou ontem em R$ 14,76/saca (-0,54%). Em dólar, US$ 12,31/saca (-0,65%). O indicador é calculado com base nos preços praticados no disponível em cinco praças do Paraná. Veja mais nesta página.
Café SP
-O valor à vista em reais do indicador do café Esalq/BM&F teve alta de 1,34%, (R$ 133,40 a saca). Em dólar, subiu 1,14% (US$ 111,22/saca). A prazo, alta de 1,34% (R$ 134,77/saca). Fonte: BM&F (AE).
Negócios
-Na entressafra de carne bovina vêm diminuindo as tradicionais oscilações de preços. Com isso, a busca da proteção no mercado futuro também cai. Volume de contratos na BM&F caiu de 11,7 mil/mês, em outubro/97 para 10,9 mil em outubro/98.


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