Oswaldo Petrin
Uma forma pouco plausível de atrair investimentos estrangeiros foi dada ontem pelo presidente do Banco Central, Gustavo Franco. Ele talvez até aprove a forma (ou circunstância?), que não é nada lisonjeira para a empresa nacional. Disse Franco (Agência Folha) que os investimentos diretos no país devem aumentar nos próximos meses porque o baixo preço do patrimônio de empresas brasileiras - muitas delas endividadas - estimulará grupos estrangeiros a investir em novas aquisições no país.
Em outras palavras, a empresa nacional, fragilizada, muda de dono. Para o economicismo acadêmico dos burocratas do governo nada altera. A empresa, às vezes até mesmo a marca, continua. Mas o dono faliu deixando, invariavelmente, um rastro de prejuízos, inclusive para o governo. É como na agricultura. O governo e sua mania de âncoras não acabam com a agricultura: acabam com o agricultor.
A agricultura passa, ora para as mãos de poucos (como bem expressa a perniciosa concentração da posse da terra), ora para um número excessivamente grande de donos (os minifúndios de exploração rudimentar e os assentamentos que, embora socialmente corretos, não sobrevivem sem o manto protetor do governo custeado pela sociedade.
Franco lembrou que em setembro, auge da crise, os investimentos estrangeiros no Brasil chegaram ao recorde de US$ 3,6 bilhões. (Não importa como).
Ele prossegue dando exemplos desse crescimento. A gente aqui na coluna prefere falar de um investimento altamente positivo: o da Monsanto:
A Monsanto, uma das gigantes do agribusiness mundial, já definiu seus investimentos brasileiros de 1999 até o ano 2001 em US$ 630 milhões, tendo como alvo principal a construção de uma fábrica do herbicida Roundup em Camaçari (BA). Só nesta fábrica investirá US$ 550 milhões e tornará sua balança comercial superavitária em US$ 250 milhões, anunciou o seu diretor de assuntos corporativos, Rodrigo Almeida (AE).
Hoje a Monsanto importa matérias-primas para a produção do Roundup que chegam a representar US$ 100 milhões anuais. Com a nova fábrica, além de produzir a matéria-prima do herbicida, também exportará a mesma matéria prima em volume que chegará a US$ 150 milhões anuais para a Argentina.
A Monsanto, que até 96 havia investido em suas atividades no Brasil US$ 300 milhões, de 97 a 98 ampliou sensivelmente suas aplicações, investindo entre o ano passado e este cerca de US$ 1, bilhão. Também tem programado, dentro do investimento de US$ 1, bilhão, a inauguração de uma nova fábrica de Roundup, seu tradicional produto, um herbicida líder de vendas mundial, em São José dos Campos. Essa nova fábrica será inaugurada em dezembro.
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