Oswaldo Petrin
-Queda de juros primários, não refletiu no comércio. Mas que ninguém se iluda que, à última hora, o consumo de fim de ano se manifesta e revele estatísticas próximas aos níveis de anos anteriores. O varejo até protelou as encomendas mas não vai reduzí-las. O arrocho mesmo vai acontecer após a virada do ano. O primeiro trimestre de 99 vai ser o mais recessivo e cauteloso. Até porque é a partir de janeiro que transparece na economia tudo o que ocorreu nos últimos mese, inclusive as medidas do governo.
-Seja como for, o baixo índice de compras de dezembro ou - por apelo de Papai Noel emburrado para janeiro -, terá como carrasco o juro deliberadamente alto. Este ano, pelo menos, o instrumento da recessão está mais caracterizado. A cobrança - por parte de agentes financeiros e da sociedade - está muito forte.
-Nem porisso, o governo vai deixar de usar os instrumentos de política monetária, como taxas de juros, para manter a estabilidade, mesmo que artificialmente. Só que desta vez há um componente novo: as cobranças nunca foram tão fortes. Tanto que talvez a equipe econômica tenha que apressar a redução das taxas. Ninguém tem a pretensão que as taxas de juros no Brasil se aproximem de níveis civilizados das taxas internacionais. Mas que as taxas retornem a níveis anteriores à crise de setembro.
-Previsão de quem é do ramo, o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola: até janeiro, os juros podem ficar no patamar de 20%, e a partir daí, sofrer uma queda mais lenta, de acordo com a verificação, pelo BC, do fluxo de entrada e saída de recursos externos no País e do andamento do programa de ajuste fiscal.
-A queda até janeiro é possível por causa do acordo de ajuda externa para o governo brasileiro, firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), e o ritmo da aprovação do ajuste fiscal no Congresso Nacional. O ex-presidente do BC lembrou que o programa do governo só é consistente com uma redução de juros.
-Por outro lado, os juros altos, não interessam ao governo, pelo peso que têm para o governo pagar sua dívida em títulos, anulariam o esforço em economizar com outros gastos, como a Previdência. Pouco adiantaria fazer um esforço no déficit primário e pagar um preço mais caro no déficit nominal, conforme Loyola. A lógica do plano é uma política fiscal austera, mas, em troca, uma política de juros mais frouxa.
-Com a aceleração da queda dos juros, o governo ganha credibilidade para implementar outras medidas, inclusive a reforma fiscal. Como este governo tem mais sorte do que juízo, ontem, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou em outubro as despesas de importação foram 9,2% inferiores às de setembro, confirmando a tendência de queda generalizada nos principais ítens da pauta.
-É bom economizar divisas para compensar a queda da receita da soja que será fatal.
Milho BM&F





