Oswaldo Petrin
-O ano deve fechar com um quadro menos sombrio - para a agroindústria e setores de transformação - do que o previsto por três entidades fortes que representam esses segmentos: A Abia (que representa a indústria de alimentos), a Abitrigo (que representa as indústrias moageiras de trigo) e a Abiove (da indústria de óleo de soja) tinham projeções desalentadoras menos de quatro meses atrás. A Abia corrigiu a tempo, diante de sinais de reversão nos setores de massa, por exemplo, que exibiu crescimento, apesar da entrada em profusão do macarrão importado. Mas as demais - Abiove e Abitrigo - previram demissões e aumento da capacidade ociosa, além de queda na oferta de matérias-primas. E traçaram um quadro ainda mais negativo para o primeiro trimestre do ano, tradicionalmente recessivo para este setor.
-Mas, ontem, saiu o relatório denominado Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A primeira conclusão é de que o setor terá um final de baixa produção industrial, sem, contudo, caracterizar um quadro definitivamente recessivo, como se esperava.
-Como isto vai impactar no PIB da área é a melhor forma de dimensionar a retração. Segundo a FGV, o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação em 98 vai cair cerca de 2,5%. No ano passado, o PIB desta indústria tinha apresentado expansão de 3,8%.
-O cenário, contudo, não é otimista, segundo o diagnóstico. As expectativas dos empresários quanto a um aumento de demanda se frustraram, a demanda externa está de normal a fraca, o número de empresas com estoques excessivos cresceu, a utilização da capacidade instalada permanece inferior à do ano passado e pelo menos um terço do setor considera fraca a situação dos seus negócios. Tanto a demanda como a produção estão em baixa.
-A maior preocupação das indústrias para o ano que vem - segundo a Fiesp, em agosto - é a queda no consumo em função: a) desemprego, b) ausência de reajustes de salários nas empresas e setor público, c) redução do prazo de encomendas, d) concorrência de importados. Este quadro parece permanecer.
-Conforme a sondagem, 31% dos 1.338 empresários entrevistados registraram queda na demanda no terceiro trimestre, 33% a consideraram normal para a época do ano e 36% identificaram uma elevação. Em outubro especificamente, 36% das empresas da indústria de transformação definiram como fraca a procura por seus produtos, percentual que em julho era de 27% e em outubro de 97, de 20%.
-Houve, portanto, de fato, uma retração nas encomendas. Ela atingiu fortemente os fabricantes de bens de consumo final, que acusaram, em 50% dos casos, demanda fraca no início de outubro, ao passo que em outubro de 97 eram só 13% os que sentiam assim o seu mercado. Para bens de capital, a situação pareceu ainda pior, com 60% dos consultados apontando a procura como fraca (no ano anterior, 12%).
Milho/alta





